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ALANAC - Notícias do Setor

Após 7 meses em queda, produção industrial volta a crescer

07 de Março de 2016

Por: Tainara Machado e Arícia Martins

A produção industrial interrompeu uma sequência de sete quedas consecutivas e avançou 0,4% entre dezembro e janeiro, feitos os ajustes sazonais. O aumento surpreendeu, já que as estimativas apontavam pequena queda do indicador divulgado pelo IBGE no período, e pode ser reflexo do início do processo de ajuste de estoques na indústria, que começou em agosto. Mesmo assim, dizem economistas, os sinais são tênues e não é possível apontar inflexão da recessão pela qual passa o setor, já que na comparação com igual período do ano passado, o recuo ainda foi de expressivos 13,9%, o maior em quase sete anos.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) ressaltou que, descontada a evolução da indústria extrativa, o setor de transformação cresceu 0,6% sobre dezembro, o melhor desempenho desde julho de 2014. Ainda sob a influência do rompimento da barragem da Samarco em Mariana, que paralisou a produção da empresa, a indústria extrativa encolheu 2,7% na passagem mensal.

Para o Iedi, a abertura por categoria de uso também mostrou algumas melhoras, ainda que o cenário permaneça "nebuloso". Do lado positivo, ressalta o instituto, esteve a alta de 0,8% da produção de bens intermediários, que subiu pelo segundo mês seguido. O desempenho desse setor "resume e reflete o comportamento da indústria como um todo", diz o instituto, e por isso os resultados recentes podem apontar uma situação menos ruim daqui para frente.

A redução no ritmo de queda da indústria, avalia Hélcio Takeda, economista da Pezco Microanalysis, será puxada principalmente pelos bens intermediários, que têm peso de cerca de 50% na produção doméstica. "Há um movimento, ainda tímido, de substituição de insumos importados pelos produzidos localmente, e também tem algo da produção que está sendo exportado", diz. Para ele, a percepção de que alguns setores vão começar a mostrar variações positivas nos próximos meses, beneficiadas pelo mercado externo, pode amenizar o ritmo de retração da indústria como um todo.

Fernando Honorato Barbosa, da Bradesco Asset Management, comenta que o aumento da produção industrial faz parte de um cenário recente que aponta para possibilidade de estabilização da atividade no fim do ano. Segundo ele, é cedo para considerar esse um ponto de virada, mas os dados disponíveis, com queda dos estoques de quase 20 pontos nos últimos sete meses, o fez não revisar a estimativa para o PIB de 2016, apesar dos números ruins do quarto trimestre. Por enquanto, diz, a projeção é de queda de cerca de 3,5% da atividade neste ano.

Em fevereiro, os estoques continuaram se ajustando, com queda de 2,5 pontos em relação a janeiro, segundo a FGV, mas a confiança do setor voltou ao nível de setembro. Para o Itaú, a baixa confiança dos empresários e o elevado nível de estoques tendem a restringir a produção industrial no curto prazo. "Ademais, indicadores coincidentes sugerem queda acentuada da produção industrial em fevereiro. Dessa forma, o cenário de fraqueza na indústria deve continuar nos próximos meses".

André Luiz Macedo, gerente de coordenação de indústria do IBGE, avalia que o ajuste de estoques pode contribuir para estabilização da indústria. Ao longo de 2015, diz, o volume de bens armazenados estava acima do habitual, mas a situação já é menos crítica em alguns segmentos, embora alguns deles, como o automotivo, ainda convivam com o problema.

Takeda pondera que a perspectiva para a produção de bens duráveis, que recuou 2,4% na última medição, segue desanimadora. "Esse setor continua fragilizado por conta do segmento automotivo. Temos expectativa de que em algum momento do terceiro trimestre pode haver alguma retomada tímida na produção do setor, mas isso pode não se materializar", afirma, porque o mercado doméstico segue fraco, com condições desfavoráveis de renda e crédito.

Apesar das notícias potencialmente positivas que o resultado de janeiro trouxe, a queda em 12 meses ainda foi de 9%, lembra Jankiel Santos, economista­chefe da Haitong. O número, diz ele, dá uma ideia clara da baixa probabilidade de que o setor industrial dê suporte à atividade em 2016. "Pode até ajudar a termos resultados menos negativos, mas dificilmente isso vai levar a uma expansão."

 

Fonte: Valor Econômico.


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