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ALANAC - Notícias do Setor

Anvisa facilita importação de medicamento com derivado da maconha

23 de Abril de 2015

Por Lisandra Paraguassu
 
Agência deixará de exigir nova autorização para cada importação, exigindo apenas um cadastro com renovação anual; hoje, famílias têm de apresentar um requerimento a cada pedido.
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou nesta quarta¬-feira, 22, regras que facilitam importação de medicamentos que tenham entre como princípio ativo o canabidiol, um dos derivados da maconha. A principal alteração é a que deixa de exigir um pedido de autorização novo para cada importação, mas fará um cadastro na Anvisa que deverá ser renovado a cada ano.
 
As mudanças que constam da nova resolução vieram depois de um ano da aprovação de importação de produtos com canabidiol no País. Nesse período, a Anvisa analisou o processo e teve reuniões periódicas com as famílias de pacientes que usam os medicamentos. Em janeiro, foi liberado oficialmente o uso desse tipo de produtos para uso medicinal.
 
O cadastro permitirá que as famílias façam a importação do produto sem precisar apresentar o pedido à Anvisa todas as vezes. Ele só precisará ser renovado anualmente, com a apresentação de um laudo médico mostrando a manutenção do quadro médico que exige o uso do medicamento e uma nova receita. Outra mudança é que a compra no exterior não precisará ser feita de uma vez só. Se por questões financeiras a família, mesmo tendo uma receita de vários lotes, preferir fazer várias compras, poderá fazê¬-lo.
 
A resolução também permitirá que a importação passe a ser feita por associações de parentes de usuários, em vez de exigir, como hoje, que cada família faça o seu pedido. A associação não poderá vender o produto, o que é proibido no Brasil, mas poderá reunir famílias que precisam do mesmo medicamento e fazer apenas um mesmo pedido, diminuindo custos e a burocracia envolvida na importação. A autorização, no entanto, continua a ser individual por paciente.
 
A Anvisa também deixou claro que entidades hospitalares, governamentais ligadas à saúde e planos de saúde poderão fazer também a importação, para atender seus pacientes. Essa possibilidade não estava clara na resolução anterior.
 
A agência preparou uma lista de produtos que se enquadram nas regras para uso médico no Brasil ¬ entre elas, ter teor de THC, que tem efeito psicoativo, menor do que o de canabidiol e ter registro em seu país de origem ¬ e que poderão ser importados dentro dessas novas regras. De acordo com a assessoria da Anvisa, eles representam 95% dos medicamentos desse tipo importados hoje.
 
Apesar das mudanças, um dos principais entraves para as famílias que necessitam dos produtos, as taxas de importação, não devem mudar ¬ podem diminuir no caso das compras feitas via associações. Também não está em estudo a autorização de vendas por meio de serviços postais, mesmo uma das reclamações sendo o fato das famílias terem que ir retirar pessoalmente os produtos nos aeroportos. A avaliação da Anvisa é que as entregas por serviços postais fariam com que o governo perdesse o controle do que está entrando no País.
 
Fonte: O Estado de São Paulo


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