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ALANAC - Notícias do Setor

Droga usada para combater o colesterol aumenta risco de diabetes

12 de Março de 2015

Por GABRIEL ALVES 
 
As estatinas, que são as drogas mais utilizadas contra o colesterol, impedindo a ocorrência de doenças cardiovasculares como angina, infartos e derrames, trazem um risco: provocar diabetes.
 
A conclusão é de um estudo que acompanhou 8.749 participantes ao longo de seis anos, todos homens finlandeses de 45 a 73 anos e inicialmente não diabéticos. Ele foi publicado no periódico científico "Diabetologia", que é publicado pela Associação Europeia para o Estudo da Diabetes.
 
Um pouco mais de 2.000 participantes começaram a usar estatinas, como a sinvastatina (como o Zocor), a atorvastatina (Lipitor) ou a rosuvastatina (Crestor).
 
 
Enquanto 11,1% dos pacientes que tomavam estatinas adquiriram diabetes, 5,8% dos que não tomavam (6.607) foram diagnosticados com a doença.
 
Ou seja, a chance de ficar com diabetes é quase o dobro em quem usa estatinas em comparação a quem não usa. No Brasil, estima-se que 8 milhões usem as drogas.
 
Outros fatores também contribuem para adquirir o diabetes, como obesidade, histórico familiar da doença, fumo e uso de diuréticos e betabloqueadores (que combatem a taquicardia).
 
Mesmo quando descontados os efeitos dessas variáveis, o risco de se adquirir diabetes ainda era 46% maior entre quem usava estatinas. Os pesquisadores ainda não sabem dizer por que ou como isso acontece.
 
Quem tomava esses medicamentos apresentou uma secreção 12% menor de insulina. Também houve uma perda na sensibilidade ao hormônio –ou seja, ele tem sua função prejudicada em pessoas que tomam estatinas.
 
"As estatinas são a 'pedra fundamental' da terapêutica preventiva. Talvez seja um preço a se pagar", diz Raul Dias Filho, diretor da Unidade Clínica de Lípides do Incor (Instituto do Coração).
 
Outros médicos também dizem que os benefícios conseguidos com a medicação podem superar os riscos.
 
"Graças às estatinas nós obtivemos uma diminuição significativa na incidência de doenças cardiovasculares, principal causa de morte atualmente", diz o médico e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Airton Golbert.
 
Antes consideradas "a nova aspirina", as estatinas também têm outros riscos associados. Cerca de um terço das pessoas se queixam de dores ou desconfortos musculares e ainda há risco de mal funcionamento do rim e do fígado, por exemplo.
 
Apesar da pletora de riscos, até mesmo a classe médica abusa da droga, diz a cardiologista e especialista em colesterol e hipercolesterolemia familiar Tânia Martinez. "Tem gente que come churrasco e toma estatina depois [para evitar a formação de colesterol ruim], o que não é de forma alguma recomendável".
 
Tânia lembra ainda que, conforme as necessidades do paciente, o médico pode variar a escolha da estatina (algumas são mais potentes do que outras) e a dose, reduzindo o risco de efeitos colaterais.
 
Uma alternativa ao tratamento convencional com estatinas que vem sendo estudada por Dias Filho é a sua associação com a droga ezetimiba, medicamento que impede a absorção de gordura pelo intestino e, assim, também evita a formação de colesterol.
 
Quando as duas drogas são combinadas, a dosagem de estatina necessária é bem menor, diminuindo o risco de diabetes. Dias Filho está conduzindo estudos para saber se a ezetimiba também provocaria a doença.
 
Outra alternativa, que está sendo estudada no exterior, é a injeção de anticorpos contra uma enzima chamada PCSK9, que atua na formação do colesterol ruim.
 
Fonte: Folha de São Paulo
 


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