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ALANAC - Notícias do Setor

Produção industrial sobe 0,1% em julho e marca a quinta alta consecutiva

05 de Setembro de 2016

A produção industrial subiu 0,1% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma retração de 0,90% a um crescimento de 1,10%, com mediana de estabilidade. Este é a quinta alta seguida nesta base de comparação, acumulando crescimento de 3,7% nesse período.

Em relação a julho de 2015, a produção caiu 6,6%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de retração de 3,00% a 8,60%, com mediana negativa de 6,90%. No ano, a produção da indústria acumula queda de 8,7%. Em 12 meses, o recuo é de 9,6%. 

A economista da CM Capital Markets Jéssica Strasburg aponta que os setores farmacêutico e de veículos puxaram para baixo a produção industrial de julho, o que explica a diferença do resultado em relação à sua projeção, que era de alta de 0,5%. Mesmo assim, ela afirma que a confiança da indústria continua subindo e que a produção deve seguir melhorando nos próximos meses. "Para quem vinha de uma sequência tão ruim de baixa, uma alta de 0,1% pode ser comemorada. A indústria acumula cinco meses consecutivos de ganhos", argumenta. 

Com uma visão menos otimista, o economista-chefe da consultoria Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto, afirma que a recente melhora na indústria vem mais de um ajuste de estoque do que de um aumento na capacidade produtiva. "O que chama atenção é que a produção de bens de capital está recuando muito, com contração de 11,9% na comparação interanual. Não temos uma verdadeira retomada na indústria, porque por enquanto está se usando a capacidade instalada já existente", aponta.

Segmentos. A produção da indústria de bens de capital caiu 2,7% em julho ante junho. Na comparação com julho de 2015, o indicador mostra queda de 11,9%. No acumulado de 2016, houve queda de 18,5% na produção de bens de capital. Em 12 meses, o resultado é de retração de 24,7%.

Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou queda de 1,0% na passagem de junho para julho. Na comparação com julho de 2015, houve recuo de 8,3%. No acumulado do ano, a queda é de 6,9%, enquanto a taxa em 12 meses é de recuo de 8,6%.

Na categoria de consumo duráveis, o mês de julho foi de alta de 3,3% ante junho, e queda de 16,2% em relação a julho de 2015. Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve diminuição na produção de 1,9% em julho ante junho, e recuo de 6,3% na comparação com julho do ano passado.

Para os bens intermediários, o indicador teve alta de 1,6% em julho ante junho. Em relação a julho do ano passado, houve redução de 5,0%. No acumulado do ano, houve queda de 8,3%, enquanto a taxa em 12 meses ficou em -8,1%.

O economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, indica que o avanço em bens intermediários foi puxado por segmentos como metalurgia, derivados de petróleo, óptico e produtos de borracha e plástico, o que retrata uma demanda de insumos mais forte da própria indústria. "Em linhas gerais, a dinâmica industrial do segundo trimestre mostrou recuperação com recomposição de estoques e julho, mesmo de lado, aponta para possível uma recuperação (da economia) no terceiro trimestre", diz.

Segundo o IBGE, 11 dos 24 ramos pesquisados apontaram taxas positivas, com destaque para o avanço de 2,0% registrado nos produtos alimentícios, após dois meses consecutivos de queda, com uma perda acumulada de 6,4% nesse período. 

Outras contribuições positivas de destaque foram o crescimento da produção de indústrias extrativas (1,6%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (5,8%), da metalurgia (1,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,4%) e de produtos de borracha e de material plástico (1,3%).

Entre os 13 ramos que reduziram a produção no mês, os desempenhos de maior relevância vieram de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-2,8%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-7,3%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,7%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-6,0%), produtos do fumo (-15,1), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-2,4%) e outros produtos químicos (-3,2%). Todas essas atividades haviam apontado taxas positivas em junho.

Para a MCM Consultores, aumentam as sinalizações de que a indústria está no fundo do poço. "Ainda não acreditamos em uma retomada da atividade industrial no curto prazo em função dos estoques que ainda se encontram elevados e também por conta da demanda que segue fraca. De toda forma, esperamos que o segundo semestre seja melhor para a atividade fabril", dizem os analistas em relatório. 

A consultoria Parallaxis também não crê em uma forte recuperação. "Acreditamos que estamos diante de dois cenários possíveis, um no qual a recuperação se dará de maneira mais lenta e gradual e outro no qual estamos diante de uma estabilidade em um patamar muito baixo de atividade, que perdurará por um longo tempo". A Parallaxis estima que a produção industrial encolherá 6% este ano, em linha com a pesquisa Focus do Banco Central, que prevê contração de 5,98%.

 

Fonte: O Estado de São Paulo


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