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ALANAC - Notícias do Setor

Antes de crescer no País, CVS poderá fechar até 25% das lojas da Onofre

26 de Julho de 2016

Quando a rede americana CVS, que tem mais de 7 mil lojas nos Estados Unidos, chegou ao Brasil, em 2013, a expectativa era grande. Esperava-se que a aquisição da Onofre fosse só o primeiro passo da companhia. Três anos mais tarde, porém, quase nada ocorreu. A Onofre, hoje com 47 lojas, perdeu posições no mercado e nem figura entre as dez maiores redes do País. Antes de crescer, o negócio que hoje fatura R$ 375 milhões, segundo apurou o Estado, poderá fechar até um quarto de suas lojas atuais.

Em 2013, a CVS chegou ao País de forma agressiva, pagando R$ 600 milhões pela Onofre, que pertencia à família Arede – à época, o valor foi considerado alto por analistas. Mas o processo de transição não estaria sendo fácil. Agora, a CVS estaria tentando reaver, por meio de arbitragem, cerca de R$ 100 milhões por causa de problemas do negócio que teriam sido revelados posteriormente. OEstado apurou que a demanda estaria sendo rebatida pelos antigos sócios da rede.

Nos últimos dois anos, a Onofre se dedicou a mudanças internas – como a adaptação do negócio às normas americanas de compliance –, enquanto a CVS chegou a considerar passos ousados no Brasil, que não se concretizaram. Um deles foi a compra da atual vice-líder do setor, a São Paulo/Pacheco, por cerca de R$ 6 bilhões.

Ao Estado, uma fonte afirmou que outras dez redes de pequeno e médio porte teriam sido avaliadas pela americana, que acabou não fechando negócio algum para se dedicar à reestruturação da Onofre.

 

Redução. Uma das medidas ainda a serem tomadas dentro deste processo seria o fechamento de lojas de pequeno porte (de cerca de cem metros quadrados), que representam 25% do total dos pontos da Onofre (ou cerca de 12 unidades).

Após mudar o design da marca, a Onofre agora abriu algumas lojas – entre elas a de Alphaville – que devem representar o futuro da rede, com cerca de 300 metros quadrados de área. “As lojas pequenas não são rentáveis, pois o custo de mantê-las abertas é quase o mesmo das unidades maiores”, explicou uma fonte.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Farmácias (Abrafarma) confirmam o processo de encolhimento da Onofre em relação à concorrência. Em 2011, a companhia aparecia na 8.ª posição do ranking nacional da entidade. No ano passado, caiu para o 17.º lugar.

Para especialistas, a opção de reorganizar a casa sem crescer de forma significativa pode ser um problema sério. “O total de lojas da Onofre é quase equivalente ao número de unidades que a Raia Drogasil abriu somente entre abril e junho”, disse o analista Guilherme Assis, do banco Brasil Plural.

Em relatório recente, Assis alertou que, caso a tendência de recuperação da economia se confirme, o crescimento do setor de drogarias deverá ficar mais próximo do resultado geral do mercado. Em 2015 e 2016, em razão da crise, o setor se descolou da economia e ganhou muito valor na Bolsa, mas, à medida que fica com mais dinheiro no bolso, o consumidor deve dar mais atenção a itens que ficaram em segundo plano nos últimos anos, como móveis, eletrodomésticos e roupas.

Procurada, a Onofre não deu entrevista. Disse apenas que suas ações atuais visam a uma estratégia de longo prazo.

A família Arede não retornou o contato da reportagem até o fechamento da edição. No fim de 2015, quando o Estado revelou a disputa com a CVS, fonte próxima à família disse que os empresários viam o pedido da americana como infundado.

 

Fonte: O Estado de São Paulo


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