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ALANAC - Notícias do Setor

Alimentos e remédios puxam inflação

07 de Maio de 2016

Por: Daniela Amorim

Os aumentos nos preços dos alimentos e dos remédios pesaram no bolso das famílias brasileiras em abril. A inflação saltou de 0,43% em março para 0,61% no último mês, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado superou as previsões mais pessimistas do mercado financeiro, que iam de uma taxa de 0,41% a 0,60% entre os analistas ouvidos pelo AE Projeções, da Agência Estado.

“Esse tipo de inflação só se combate com a melhora das expectativas, com a melhora do conjunto dos indicadores econômicos”, avaliou Miguel Daoud, sócio da Global Financial Advisor, ressaltando o caráter perverso de uma inflação alta em meio a um cenário em que 17 mil empregos são destruídos por dia.

No entanto, a taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses voltou a arrefecer, de 9,39%, em março, para 9,28% no último mês. Os aumentos de abril foram menos espalhados entre os itens pesquisados. A elevação nos gastos com alimentação e saúderespondeupor89% de toda a inflação do mês.


Os remédios ficaram 6,26% mais caros, com o reflexo de parte do reajuste de 12,50% em vigor desde o primeiro dia de abril. O item exerceu a maior contribuição individual para a inflação do mês, o equivalente a 0,20 ponto porcentual.

Entre os alimentos, houve pressão de vários produtos, como a batata-inglesa, açaí, farinha de mandioca, frutas e leite longa vida. As mudanças climáticas e o aumento na demanda, sobretudo em países emergentes, têm sustentado a elevação dos preços dos alimentos na última década, segundo o IBGE.

“Os alimentos têm subido muito nos últimos anos, principalmente, por causa dos problemas climáticos, não só no País, mas no mundo todo. A demanda cresceu muito nos países emergentes, como China, Índia. No Brasil também, a renda aumentou muito nesse período.
Então a demanda está mais forte por alimentos”, justificou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Dois pesos. A surpresa da inflação de abril foi a alta de 4,01%na tarifa de telefone celular. Por outro lado, a redução nos preços dos combustíveis e da energia elétrica ajudou a conter o IPCA, em - 0,18 ponto porcentual.

Os combustíveis ficaram 1,04% mais baratos, a reboque da redução de 4,89% no preço do litro do etanol, e queda de 0,14% na gasolina. “Os preços do etanol, por conta da boa safra da cana, estão caindo. Na gasolina, como tem uma porcentagem de etanol, o preço do etanol caindo faz cair também o da gasolina”, disse Eulina.

A tarifa de energia elétrica recuou 3,11%, como resultado do fim da cobrança extra da bandeira tarifária. No entanto, apesar das sucessivas quedas este ano, a energia elétrica devolveu apenas 6,96% da alta de cerca de 50% registrada em 2015.

“Uma conta que você pagava R$ 100 em dezembro de 2014 terminou em R$ 150 em 2015. E, agora, está em R$ 141. Então, apesar da queda este ano, não devolveu R$ 41 de aumento do ano passado”, calculou a coordenadora do IBGE.

Em maio, a conta de luz deve voltar a pressionar a inflação, por causa dos reajustes em Fortaleza, Salvador, Campo Grande e Recife. A taxa de água e esgoto também ficará mais cara, por causa de aumentos em Belo Horizonte e Fortaleza, mas também pelo fim em São Paulo do programa que concedia bônus às famílias que reduzissem o consumo de água.

Cenário. A LCA Consultores projeta uma alta de 0,63% para o IPCA de maio. De acordo com Fábio Romão, economista da LCA, só a conta de luz deverá subir cerca de 0,80%. Outro fator de pressão virá da mudança da metodologia de cálculo dos salários dos empregados domésticos e da mão de obra, que levarão em consideração o reajuste anual do salário mínimo nacional nas regiões que adotam o valor decretado pelo governo federal.

“A mudança metodológica dos subitens empregado doméstico e mão de obra deve conter parte do arrefecimento esperado para a inflação de serviços ao longo do ano”, corroborou Marcio Milan, analista da Tendências Consultoria Integrada.

A economista Camila Abdelmalack, da CM Capital Markets, acredita que a trajetória de desaceleração da inflação ficará mais evidente apenas a partir de julho, ajudada pela diminuição da disseminação da alta dos preços. “Essa menor disseminação já foi vista em abril. O indicador mostra um índice de difusão menor, que passou de 69,44% no mês anterior para 66,76%, mesmo com a aceleração do IPCA”, apontou Camila.

ACM Capital espera que a inflação atinja o nível mais baixo do ano apenas em dezembro, com maior possibilidade de voltar ao teto da meta no início de 2017.

 

Fonte: O Estado de São Paulo.


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