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Produção industrial cai 11,7% e tem pior primeiro trimestre desde 2009

03 de Maio de 2016

Por: Daniela Amorim

Somente em março, a produção subiu 1,4% em relação a fevereiro, mas para o IBGE, a melhora ainda não indica uma reversão da tendência do setor

A produção industrial acumulou queda de 11,7% no primeiro trimestre do ano, o pior resultado para o período desde 2009, quando recuou 14,2%. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o recuo é de 9,7%. Somente em março, a produção subiu 1,4% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal, mas caiu 11,4% na comparação com o mesmo mês de 2015.

Segundo André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, o avanço de 1,4% na produção industrial em março ante fevereiro não muda o cenário nem a tendência de queda no setor. Mesmo com a alta recente, a indústria ainda opera 20,5% abaixo do seu pico de produção, registrado em junho de 2013.

"Claro que esse resultado é melhor do que mais uma taxa negativa. Mas não reverte a tendência de queda que essa produção industrial vem nos mostrando", afirmou Macedo.

A média móvel trimestral permanece em território negativo há 17 meses consecutivos, ressaltou o pesquisador. "Embora tenha reduzido a magnitude de perda (-­0,3% em março ante ­-1,1% no mês anterior), ainda assim indicador de tendência permanece nesse cenário negativo", declarou.

Embora a alta na produção em março tenha sido a mais acentuada desde janeiro de 2014 (1,8%), o avanço não elimina as perdas registradas em meses anteriores. Em fevereiro ante janeiro, a indústria teve retração de 2,7%. "O crescimento da indústria na margem não suplanta as perdas passadas, não suplanta nem a perda de fevereiro", apontou Macedo.

Segmentos

A produção da indústria de bens de capital subiu 2,2% em março ante fevereiro. Na comparação com março de 2015, o indicador mostra queda de 24,5%. No acumulado de 2016, houve queda de 28,9% na produção de bens de capital. Em 12 meses, o resultado é de retração de 28,3%.

Segundo André Macedo, o crescimento na produção de bens de capital na comparação mensal ainda não significa uma mudança na intenção de investimentos de empresários. "A categoria cresce sobre uma base de comparação muito deprimida", justificou Macedo.

Na passagem de fevereiro para março, houve elevação na produção de bens de capital para o setor agrícola, energia elétrica e máquinas e equipamentos para o setor industrial. Macedo considera que possa ter ocorrido também uma influência da retomada gradual de parques industriais que estavam em regime de férias coletivas.

Em relação aos bens de consumo, a pesquisa registrou alta de 3,2% na passagem de fevereiro para março. Na comparação com março de 2015, houve recuo de 8,7%. No acumulado do ano, a queda é de 9,8%, enquanto a taxa em 12 meses é de recuo de 10,0%.

Na categoria de bens de consumo duráveis, o mês de março foi de alta de 0,9% ante fevereiro, e queda de 3,8% em relação a março de 2015. Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve aumento na produção de 1,4% em março ante fevereiro, e recuo de 11,4% na comparação com março do ano passado.

Para os bens intermediários, o IBGE informou que o indicador teve ligeira alta de 0,1% em março ante fevereiro. Em relação a março do ano passado, houve redução de 10,9%. No acumulado do ano, houve queda de 10,3%, enquanto a taxa em 12 meses ficou em 7,0%. O índice de Média Móvel Trimestral da indústria geral ficou negativo em 0,3% em março.

Revisões

O IBGE revisou o dado da produção industrial do mês de fevereiro ante janeiro, de -­2,5% para ­-2,7%. A produção de bens de capital também foi revista, de 0,3% para 0,5% em fevereiro ante janeiro. Já a fabricação de bens intermediários no período saiu de ­-2,0% para ­-1,9%.

 

Fonte: O Estado de São Paulo


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