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ALANAC - Notícias do Setor

Marcelo Castro deixa Ministério da Saúde

27 de Abril de 2016

Por: Tânia Monteiro e Igor Gadelha

Peemedebista entregou carta de demissão a Jaques Wagner nesta quarta-feira; ‘Minha situação estava muito delicada’, disse

O ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB­PI), entregou no início da noite desta quarta­feira, 27, no Palácio do Planalto, a sua carta de demissão. “Minha situação estava muito delicada”, disse Castro ao Estado, após lembrar que ficou “muito vulnerável e desprotegido, depois de todos os ministros do PMDB terem deixado seus cargos e da Câmara só restava eu”.

Castro, na verdade, é o quinto dos seis ministros do PMDB a entregar o cargo. Ainda resta a ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu. A exoneração de Castro, “a pedido” será publicada no Diário Oficial desta quinta-­feira, 28. Castro declarou ainda que “não tenha a menor dúvida de que apoiarei o governo dele (Michel Temer), que é o presidente do meu partido, com quem tenho muito boa relação”.

O peemedebista disse que não entregou a sua carta de demissão pessoalmente à presidente Dilma, porque ela estava reunida, exatamente, com Kátia Abreu, discutindo o plano safra que será lançado na semana que vem. O emissário foi o ministro­-chefe do Gabinete Pessoal da Presidente da República, Jaques Wagner, com quem Castro já havia conversado na noite de terça-­feira. Segundo castro, Wagner e o ministro-­chefe da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo explicaram a situação a Dilma. “Os dois argumentaram com a presidente as minhas razões.”

O peemedebista justificou ainda que era necessário deixar o governo porque é uma pessoa de partido. “Eu sou presidente regional do PMDB no Piauí. Sou fundador do partido e não tenho a menor pretensão de sair do meu partido. Eu fui indicado ministro pela bancada do PMDB, não pedi a ninguém e não tenho nenhuma divergência ou conflito com o PMDB”. Castro lembrou ainda que Temer “sempre respeitou a sua posição, o que me dava uma certa gratificação”. E emendou: “ele (Temer) nunca me perguntou nada. Nunca conversei com ele sobre a situação. Ele compreende que eu não poderia ter outro comportamento a não ser o que tive”.

Articulações

O Ministério da Saúde confirmou a saída de Castro no início da tarde desta quarta.

Mais cedo, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ) havia afirmado ao Estado que Castro entregaria o cargo antes da votação da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, prevista para 11 de maio.

Procurado pela reportagem, Marcelo Castro havia se mostrado surpreso com a divulgação da informação por Picciani. O ministro evitou confirmar diretamente quando vai deixar o posto. "Vou conversar com Picciani e com o governo nos próximos dias antes para ver como faço", afirmou ao Broadcast Político.

Marcelo Castro chegou ao comando do Ministério da Saúde em outubro do ano passado por indicação do líder do PMDB. Na época, Picciani também indicou o deputado Celso Pansera (RJ) para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Com sua saída, Castro deve retomar seu mandato de deputado federal.

Castro será o sexto ministro do PMDB a deixar o governo Dilma após o partido deixar a base aliada. Já tinham deixado os cargos os peemedebistas Henrique Eduardo Alves (Turismo), Helder Barbalho (Portos), Mauro Lopes (Aviação Civil), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Pansera. Apenas Kátia Abreu (Agricultura) segue no cargo.

O secretário-­executivo do Ministério da Saúde, José Agenor Alvares, assumirá a pasta após a saída de Castro. / COLABOROU LÍGIA FORMENTI

 

Fonte: O Estado de São Paulo


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