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ALANAC - Notícias do Setor

Pfizer investe no mercado de vacinas para adultos no paĆ­s

31 de Março de 2016

Por: Stella Fontes

Com o objetivo de consolidar sua presença no mercado brasileiro de vacinas, onde ocupa posição de destaque no segmento privado, a farmacêutica americana Pfizer voltou suas atenções às necessidades de prevenção da população adulta. No Brasil, avalia o diretor da unidade de vacinas da farmacêutica, Marco Ferrazoli, campanhas de vacinação infantil já estão estabelecidas, mas ainda falta conhecimento sobre o calendário para as demais faixas etárias.

"Vacinação no Brasil tem o binômio criança e posto de saúde. O mercado de adultos ainda é tímido, mas tem grande potencial de crescimento", diz o executivo. Além da questão cultural, a população brasileira está envelhecendo, o que reforça a expectativa de vendas crescentes da indústria farmacêutica também na área de imunização, acrescenta.

No ano passado, segundo dados da consultoria IMS Health, o mercado privado de vacinas no Brasil movimentou R$ 240 milhões. Já o mercado público, que compreende as campanhas definidas pelo Ministério da Saúde e do qual a Pfizer ainda não participa, chegou a R$ 2,3 bilhões. "Sempre temos o objetivo de ir ao segmento público, se fizer sentido", diz Ferrazoli.

Segundo o executivo, o governo conhece o "pipeline" na área de vacinas da farmacêutica e "pode haver interesse em trazer tecnologia ao país, por meio de PDP [Parceria para o Desenvolvimento Produtivo]". Essas parcerias, firmadas entre empresas e instituições públicas, têm por finalidade o desenvolvimento e a transferência de tecnologia para produção de medicamentos estratégicos ao SUS.

Com participação de 27% no mercado privado, a farmacêutica americana aguarda o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação da Prevenar 13, usada na prevenção de doenças pneumocócicas, no público de 18 a 49 anos, consolidando assim a estratégia da farmacêutica.

Hoje, a vacina é líder de mercado, segundo a Pfizer, com participação de 18% e suas vendas cresceram 20% ao ano, em média, nos últimos cinco anos. Por enquanto, é indicada para crianças a partir de dois meses a adolescentes de até 17 anos e adultos com 50 anos ou mais. Com o futuro aval da Anvisa, a Prevenar 13, que nas indicações para crianças e adultos representou sozinha 12,7% do faturamento global da farmacêutica em 2015, se tornará universal (com indicação para todas as idades).

Em outra frente para avançar na população adulta, a Pfizer se aproximou de planos de saúde e empresas com vistas a oferecer pacotes de vacinas. Uma equipe específica para projetos de vacinação em empresas (B2B) foi constituída no ano passado com essa finalidade. "Temos empresas de todos os portes [entre os clientes]", afirma o executivo.

A Pfizer tem fortalecido sua área de vacinas, que no ano passado gerou receitas de US$ 6,4 bilhões (ante US$ 4,4 bilhões em 2015), por meio de pesquisas e desenvolvimentos próprios e aquisições. No ano passado, anunciou a aquisição de duas vacinas contra meningite pelos sorotipos ACWY da GSK, a Nimenrix e a Mencevax, e comprou o controle da Redvax, subsidiária da suíça Redbiotec, em transação que permitirá o acesso a testes pré­clínicos de uma vacina candidata contra o citomegalovírus (CMV).

Em dezembro de 2014, já havia concretizado a compra do portfólio de vacinas da Baxter, que incluiu a Neisvac­C e a FSME­IMMUN/Tico­Vac, que evita infecção do sistema nervoso transmitida pelo carrapato, em um negócio de US$ 635 milhões. Neste momento, as pesquisas da Pfizer na área de vacinas estão concentradas em um novo produto para proteger contra a meningite B, contra câncer de próstata e contra a infecção por Staphylococcus aureus e Clostridium difficile colitis. No início do segundo semestre, a companhia pretende submeter à Anvisa a vacina Trumenba, para prevenção da meningite do tipo B em pessoas a partir dos 10 anos.

 

Fonte: Valor Econômico.


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