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ALANAC - Notícias do Setor

Batalha da gripe

31 de Março de 2016

Por: Martha Alves

Em meio ao surto de gripe H1N1 na capital paulista e ao aumento de 50% na demanda, o Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, no Jaçanã (zona norte), virou palco de uma batalha entre pacientes e funcionários, que chegaram a montar uma barricada de cadeiras para impedir a entrada no pronto-socorro infantil.

A mãe de uma criança só conseguiu ser atendida após chamar a Polícia Militar.
A confusão começou na noite de terça (29), quando pais de crianças doentes discutiram com médicos plantonistas devido à demora no atendimento. Alguns esperavam havia nove horas no local ou retornavam pela segunda vez no mesmo dia para conseguir uma consulta.
Conforme mostrou a Folha nesta semana, a falta de pediatras em unidades municipais tem levado a uma peregrinação de pais na periferia.

O prefeito Fernando Haddad (PT) admitiu que “a carência ainda é muito grande”.

“Minha mãe morreu em 2008 neste hospital por demora no atendimento, só volto aqui por falta de opção”, diz o eletricista Reinaldo Teixeira, que esperava havia mais de sete horas por um médico para o filho de três anos— com febre e sangramento no nariz.

Segundo o engenheiro Adriano Borges, os funcionários do São Luiz Gonzaga disseram que, se as pessoas quisessem ser atendidas mais rapidamente, deveriam ir a outro hospital. Ele levou os três filhos — com gripe e febre— ao pronto-socorro, mas só dois conseguiram ser atendidos na madrugada desta quarta(30),mais de cinco horas após sua chegada.

Nesta quarta, de acordo com pais de crianças levadas ao pronto-socorro, os servidores do hospital fizeram uma barricada com cadeiras depois de uma equipe de televisão filmar o local.

Segundo pais, quem conseguia entrar no pronto-socorro recebia a previsão de 48 horas de espera e a informação de que somente emergências eram atendidas.

A dona de casa Cristiane Sanches, 21, disse que, por volta das 12h, esmurrou a porta e e implorou para que seu filho Bernardo, 1, fosse atendido. Ele estava com febre alta e tinha sofrido convulsões.

Os funcionários deixaram ela entrar, mas uma médica, segundo Cristiane, dispensou a criança. “Ela olhou para meu filho, disse que não era caso de urgência e falou para eu voltar outro dia.” A dona de casa conta que se desesperou ao ver o filho desmaiado e chamou a polícia. “Já perdi um filho no 7º mês de gravidez, não queria perder outro.” Segundo ela, quatro carros da PM chegaram, e Bernardo foi atendido.

Outro lado A Santa Casa de SP, que administra o Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, afirmou, em nota, que a porta do pronto-socorro infantil foi trancada porque a triagem foi deslocada para outra parte do hospital em razão do aumento da procura. Informou ainda que a demanda do pronto-socorro infantil no São Luiz Gonzaga aumentou 50% nos últimos dias “pelas condições ambientais características desta época do ano”.

Em relação à espera, disse que “trabalha no limite operacional, o que também influencia o tempo para os pacientes serem atendidos”.

A Secretaria da Saúde da gestão Haddad disse que só a Santa Casa se pronunciaria.

 

Fonte: Folha de São Paulo.


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