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ALANAC - Notícias do Setor

Aché vai acelerar lançamento de MIP para ficar entre os três maiores do país

10 de Março de 2016

Por: Stella Fontes

Ao mesmo tempo em que ganhou força no país o debate sobre a possível ampliação do mercado de medicamentos isentos de prescrição (MIP, ou OTC em inglês), o laboratório Aché colocou em marcha uma estratégia ancorada sobretudo em lançamentos para estar, até 2030, entre os três maiores do segmento, que no ano passado movimentou mais de R$ 16 bilhões.

Hoje, o portfólio da farmacêutica, que já está no grupo dos 10 maiores, garante presença em apenas 40% do mercado brasileiro de MIPs. A meta é torná­-lo mais abrangente, permitindo a entrada do Aché em áreas de tamanho relevante, como a de analgésicos, ou de crescimento acelerado.

"Estamos olhando os grandes mercados e também aqueles menores com taxa de expansão elevada, como o de vitamina D", disse ao Valor o diretor responsável por MIP na farmacêutica, Cesar Bentim. No ano passado, quando as vendas cresceram 12%, essa área contribuiu com quase R$ 360 milhões do faturamento total do laboratório, ou o equivalente a 11%. Para 2016, a expectativa é de expansão de 13% nas receitas com MIP.

Conforme Bentim, a estratégia de longo prazo para o negócio de remédios isentos de prescrição começou a ser pensada após a chegada do executivo Paulo Nigro, ex­ Tetra Pak, ao comando do laboratório, no fim de 2014. À época, o novo presidente­-executivo assumiu as discussões do Planejamento Estratégico 2030, que, entre outras metas, estabelece que o laboratório vai se internacionalizar e buscar dobrar de tamanho a cada cinco anos.

"Fez todo sentido um planejamento de longo prazo, especialmente para a área de MIP", afirmou Bentim. "Tentar estar entre os três maiores em cinco anos não seria possível também por causa dos prazos [extensos] da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", acrescentou.

No órgão regulador, o debate em torno da ampliação dessa classe de medicamentos pode trazer resultados no curtíssimo prazo ­ para a indústria farmacêutica, a nova regulação está bem perto de ser publicada. E a mudança nos critérios de classificação pode dar mais fôlego à estratégia do Aché, que já produz certos remédios de tarja vermelha que passariam a ser vendidos sem prescrição, como o omeprazol, usado no tratamento de doenças de estômago.

A expectativa da indústria é a de que, nos próximos meses, a nova regulamentação libere mais 30 categorias de medicamentos para comercialização sem necessidade de receita médica. A medida ampliará o mercado nacional de MIPs, que hoje já corresponde a 35% das vendas de medicamentos no varejo brasileiro, com cerca de 1 bilhão de unidades por ano.

O executivo cita ainda um estudo da americana Consumer Healthcare Products Association (CHPA) que indica que, para cada dólar desembolsado com medicamentos isentos de prescrição, US$ 7 são economizados em outros gastos com saúde, como uma visita ao pronto-­socorro, por exemplo. "Apoiamos a regulação do mercado de MIPs com vistas a ampliá­-lo", reiterou.                                                                                                                            

Hoje, os medicamentos do Aché mais vendidos nessa categoria são o Decongex (antialérgico), Flogoral (usado no combate de processos inflamatórios da boca e garganta), Sorine (solução nasal) e Sintocalmy (produzido à base de Passiflora). Juntos, representam 60% das vendas na área de MIP.

Além de novos produtos, o Aché vai trabalhar em mais apresentações e versões para marcas já estabelecidas. Nesse sentido, o mais recente lançamento é o Biofenac Hot, adesivo térmico descartável que proporciona alívio da dor. "É fundamental acelerar o lançamento de produtos", afirmou.

Segundo o executivo, novos produtos, combinados a marketing e conhecimento da nossa força de venda, são os ingredientes necessários ao cumprimento da meta de longo prazo, em um mercado conhecido pela concorrência acirrada. "Prazo e desconto são lugares comuns", disse.

 

Fonte: Valor Econômico.


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