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ALANAC - Notícias do Setor

Em decisão inédita, OMS orienta grávidas a não viajar para área com Zika

09 de Março de 2016

Segundo a OMS, outro dado preocupante é que 31 países latino-americanos têm transmissões locais de zika

De forma inédita e apontando a proliferação “alarmante” da zika, a Organização Mundial da Saúde (OMS recomendou nessa terça, 8, a grávidas que não viajem para zonas afetadas pelo surto e disse que a transmissão do vírus por relações sexuais é “mais comum do que o estimado anteriormente”.

Já os serviços de saúde devem estar preparados para um potencial aumento de síndromes neurológicas e de más-formações. Segundo a OMS, outro dado preocupante é que 31 países latino-americanos têm transmissões locais de zika. “E veremos mais casos e em mais regiões.” 

A entidade ainda apelou a governos para que informem as mulheres dos locais com epidemia, para que possam tomar uma decisão se devem ou não engravidar e diz que adiar esses planos “faz todo o sentido”. Campanhas de informação devem ser lançadas e grávidas expostas ao zika precisam ser monitoradas.

Depois de mais de quatro horas de uma reunião de emergência, a entidade incrementou as medidas de controle e, pela primeira vez, admitiu “a possível ligação entre o zika e doenças neurológicas e má-formação”. Um racha entre os cientistas, porém, evitou que a OMS declarasse o vírus como emergência, mantendo por enquanto apenas a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré como foco do alerta, lançado em fevereiro.

Alarme

A OMS decidiu que não poderia mais esperar. “As mulheres estão muito preocupadas e não podemos ficar aguardando respostas”, disse Margaret Chan, diretora-geral da entidade. “Claramente, quem engravidar nesse locais (de epidemia pode ter um resultado muito ruim.”

De uma forma geral, não há restrição de viagens a locais com zika. “Mas mulheres grávidas devem ser aconselhadas a não viajar.” Além disso, a entidade constatou que a transmissão sexual pode ser mais frequente. Para a OMS, existem relatos em pelo menos quatro países.

São oito casos confirmados, mas há dezenas de suspeitos. “Os modos de transmissão agora incluem relações sexuais e picadas de mosquitos. Tudo isso é alarmante”, insistiu Margaret. Por isso, os cientistas pedem que “grávidas, cujos parceiros sexuais vivam ou tenham viajado para áreas com zika, devem garantir práticas sexuais seguras ou se abster de sexo pela duração da gravidez”.

“As mulheres precisam ser informadas do risco e a contracepção voluntária é algo que deve ser considerado”, disse a diretora-geral. Para ela, os problemas vão muito além da microcefalia. “Essa é agora apenas uma das anomalias associadas ao zika durante a gravidez.

Resultados graves incluem morte do feto, insuficiência da placenta, retardo de crescimento fetal e danos no sistema nervoso central. Evidências apontam que o vírus pode atravessar a placenta e infectar o feto, atingindo os tecidos do cérebro”, afirmou Margaret Chan.

A diretora ressaltou que nas últimas semanas muitas pesquisas vêm fortalecendo a provável associação, mas não há uma “prova final” da relação entre o zika e os fenômenos neurológicos. “Mas o que vemos hoje no Brasil pode ocorrer amanhã na Colômbia e isso é alarmante”, disse David Heymann, cientista que presidiu a reunião. 

 

Fonte: O Estado de São Paulo.


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