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ALANAC - Notícias do Setor

Farmac├¬uticas tomam espa├žo de empreiteiras

01 de Março de 2016

Por: Alda do Amaral Rocha

O ajuste fiscal promovido pelo governo causou uma mudança no ranking de empresas que mais recebem pagamentos da União. Antes dominada por grupos do setor de construção e de máquinas e equipamentos, a lista (que desconsidera instituições financeiras) agora tem nas primeiras posições companhias de educação e do setor farmacêutico.

A campeã de 2015 foi a paulista Anhanguera Educacional, que obteve R$ 947,3 milhões por repasses do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ­ programa que financia cursos superiores da rede particular. Com isso, a companhia desbancou a fabricante de aviões Embraer e a construtora Odebrecht ­ campeã e vice de 2014.

Em seguida, estão Itaipu Binacional e Embraer. Das sete restantes, quatro são farmacêuticas ou distribuidoras de medicamentos: Abbvie, GlaxoSmithkline, Uno Healthcare e Multicare. Construtora melhor colocada, a Queiroz Galvão só aparece em oitavo.

Gil Castelo Branco, secretário­-geral da Associação Contas Abertas, afirma que a mudança é explicada pelos cortes que o governo foi obrigado a fazer em despesas discricionárias ­ aquelas em que é possível mexer sem apoio do Congresso. Foram cortados investimentos em ações como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e preservados gastos nas chamadas despesas obrigatórias ­ como saúde e educação.

"Não deve ter sido diminuída a compra de medicamentos e nem de gastos com educação, pois são despesas que o governo não tem capacidade de cortar. Tem que comprar remédio, não tem como parar, ainda mais nesse momento de zika e dengue", afirma. "A única maneira de tentar minimizar o déficit primário é cortando o investimento. Então essas empresas [construtoras e fabricantes] sofrem mais do que às ligadas ao investimento obrigatório", diz.

 

Fonte: Valor Econômico.


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