Pesquisar

ALANAC - Notícias do Setor

P&G vai reforçar portfólio e cortar custos no Brasil

25 de Fevereiro de 2016

Por: Cibelle Bouças

A Procter & Gamble (P&G), multinacional de bens de consumo, decidiu concentrar o foco de atuação em 2016 em marcas de mais alto valor agregado e no corte de custos. No Brasil, onde a companhia já opera com portfólio restrito, as ações serão concentradas na melhoria da oferta de produtos "premium" e na redução de despesas. Essa redução, segundo a P&G, não envolverá cortes de pessoal ou em investimentos. Globalmente, a P&G planeja cortar US$ 10 bilhões em custos em cinco anos.

Nos próximos dias, a P&G coloca no varejo uma linha de fraldas Pampers, com uma tecnologia diferente de gel, que permite uma absorção mais uniforme de líquidos. O lançamento será simultâneo nos Estados Unidos, na Rússia, na China e no Brasil. Diferente da fralda atual, que tem polpa e gel soltos no centro de absorção da fralda, o novo produto tem o gel impresso no centro de absorção da peça. A inovação permite uma distribuição uniforme do líquido e deixa a pele do bebê mais seco. O gel também é mais potente, com capacidade de absorver 30 vezes o seu peso. A tecnologia permitiu à P&G criar uma fralda 15% mais fina, com economia no uso de algodão e embalagens menores.

Leonardo Romero, diretor de marca da P&G, diz que a decisão de trazer o produto ao Brasil ao mesmo tempo que nos Estados Unidos e na Europa sinaliza a importância do país para a companhia. E exemplifica o foco da P&G, voltada a linhas de alto valor agregado.

"A força de marcas como Pampers, Downy e Gillette permitem à companhia aumentar as vendas no Brasil. A perspectiva é continuar crescendo dois dígitos no país este ano", disse Romero. Ele acrescentou que a receita de vendas no Brasil no quarto trimestre aumentaram 11% em reais. Globalmente, a receita da P&G teve queda de 8,5%, para US$ 16,9 bilhões. Excluindo a variação cambial, houve incremento de 2%.

O incremento nas vendas, disse Romero, será impulsionado com o reforço das linhas mais sofisticadas ­ estratégia semelhante à anunciada pela rival Kimberly Clark, dona da Huggies. Em 2015, de acordo com a Euromonitor Internacional, a Kimberly­ Clark ultrapassou a P&G em fraldas e atingiu participação em volume de vendas de 27,3%. A Pampers, da P&G, ficou com 25,9% do mercado. Em seguida está a Pompom, da Hypermarcas, com 14,3%. Já segundo a Nielsen, a Pampers manteve a liderança no acumulado de 2015, com 29,1% de participação, seguida pela Huggies, com 28,5%.

A inovação da P&G chega ao mercado na linha Pampers Premium Care. A companhia instalou uma linha de produção na fábrica de Louveira (SP). Romero disse que a tecnologia será implantada em outras linhas da Pampers futuramente. Ele acrescentou que essa linha representa 8% das vendas de fraldas da P&G no Brasil e 3,5% do mercado brasileiro de fraldas. A meta da companhia com a inovação é dobrar a participação, chegando a 16% das vendas da P&G e a 7% do mercado de fraldas do país.

Romero disse que a nova linha chega ao mercado com o mesmo preço da fralda Pampers Premium Care, porque a companhia conseguiu compensar o custo da inovação gastando menos algodão e embalagens. No ano, a P&G informou que reajustou os preços no Brasil em linha com a inflação.

Giovanni Ciserani, presidente global da P&G para as produtos de limpeza, fraldas e absorventes, afirmou que a P&G busca formas de cortar custos sem reduzir pessoal ou investimentos. A redução passa por uma revisão nos contratos com agências de publicidade, gastos com logística, contratos com fornecedores, entre outras mudanças. "Estamos olhando toda a cadeia de suprimentos para reduzir custos em todos os países, incluindo o Brasil", disse Ciserani.

Ciserani acrescentou que vê potencial de crescimento no país no longo prazo. "O Brasil é um dos três maiores mercados de fraldas no mundo, depois de Estados Unidos e China, tem uma população numerosa, com nível de educação alto, matéria-­prima disponível. Em três anos, pode haver dificuldades, mas em seis a 10 anos, o país mantém forte potencial de geração de negócios", disse Cesarani.

Ele acrescentou que a P&G opera com poucas marcas no Brasil, de forma que não haverá redução no portfólio. Globalmente, a P&G já vendeu a Duracell para a Berkshire Hathaway e 43 marcas de produtos para cabelos à Coty, incluindo Wella, Koleston e Wellaton.

Em 2014 e 2015, a P&G investiu R$ 1 bilhão no país para expandir a fábrica de Louveira e abrir uma fábrica de creme dental em Seropédica (RJ). A P&G também ampliou o centro de distribuição em Itatiaia (RJ) e a fábrica de escova de dentes e lâminas de barbear em Manaus.

 

Fonte:  Valor Econômico


Associados