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ALANAC - Notícias do Setor

Natura aumenta preços e vai cortar mais custos

19 de Fevereiro de 2016

Por: Tatiane Bortolozi

A Natura encerrou 2015 com lucros 30% menores, de R$ 513,5 milhões, depois de um ano de muitas dificuldades no Brasil, permeados pelo aumento de impostos, a desvalorização do real, a retração econômica e a concorrência ainda mais acirrada. Em um cenário de recessão do setor de beleza brasileiro pela primeira vez em duas décadas, o mercado virou um jogo de 'rouba­monte', e enquanto tentava proteger sua participação, a companhia viu as margens diminuírem.

Nos primeiros dois meses deste ano, a fabricante de cosméticos começou a reajustar os preços para cima, em categorias e marcas selecionadas, e promete usar 'toda a criatividade' para enxugar ainda mais os custos, desde a negociação com fornecedores até as viagens de executivos.

A receita líquida consolidada subiu 6,6% no ano passado, para R$ 7,9 bilhões. No Brasil, as vendas recuaram 6,6%, enquanto no exterior, avançaram 62,4%. A participação dos mercados internacionais subiu de 19,2% em 2014 para 29,2% nos 12 meses seguintes. A companhia já tem 505 mil vendedoras na Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México, além de mais 1,4 milhão no Brasil.

Enquanto o câmbio e a forte expansão impulsionaram a receita no exterior, no Brasil houve redução dos itens vendidos e queda de produtividade pelo sétimo trimestre consecutivo, apesar do aumento de revendedoras. A taxa de inovação, de 58,9% no quarto trimestre de 2015, ante 67,9% um ano antes, foi considerada "insatisfatória" pela Votorantim Corretora.

"Em um cenário estagnado, a única oportunidade é ganhar mercado", afirmou o presidente Roberto Lima ontem, em teleconferência com analistas. "Os competidores locais parecem ter tirado um pouco o pé do modo de forte expansão e estão investindo mais em agressividade de preço."

A Natura permanece focada na geração de caixa, o que passa por melhorar o canal e acertar no valor de seus produtos, principalmente após as margens sofrerem com a inflação e desvalorização cambial, disse Lima. A companhia planeja novos aumentos em março, mas promete estar atenta para não perder competitividade. "Em um mercado cada vez mais acirrado, cada um quer ganhar sua fatia."

Para melhorar os resultados, a empresa também usará "toda a criatividade" para negociar com fornecedores e também reduzir os custos não relacionados à produção o máximo possível. O presidente afirmou que o efeito da desvalorização do real permeará todo este ano ­ cenário pior que 2015.

A desvalorização do real afeta principalmente os itens "produtivos importados" ou "cotados em dólar". Desde 2015, a companhia tem feito esforços para renegociar os contratos com fornecedores. "Estamos ajustando a estrutura a novos tempos. Temos que ter um ponto de equilíbrio mais baixo", afirmou Lima. O executivo disse que também busca reduzir gastos administrativos, viagens e melhorar a gestão patrimonial.

Mais rigorosa em seus investimentos, a Natura decidiu descontinuar alguns projetos de pesquisa e inovação no quarto trimestre e, por isso, registrou uma baixa de R$ 34 milhões. "Fomos seletivos em projetos que não estavam adequados ao que o mercado esperava", explicou Lima. O efeito contábil não se repetirá nos próximos trimestres. "Não vamos medir inovação pelo volume de recursos, mas pela qualidade e a quantidade de produtos que conseguimos levar a mercado", justificou. A companhia ampliou o portfólio nos anos de forte crescimento do Brasil, mas agora prefere focar em marcas fortes e na segmentação de público.

A melhora no capital de giro e o crescimento da operação internacional foram os destaques positivos de 2015, na opinião do UBS. O Credit Suisse destacou a geração positiva de fluxo de caixa no ano. A Brasil Plural considerou as vendas da Natura mais fortes que as da Avon, mas não se encorajou pela falta de indicadores de melhora de vendas no Brasil.

A Natura anunciou projetos importantes para diversificar a distribuição em 2015, como uma parceria para a venda de seus produtos nas drogarias Raia Drogasil; a abertura de dez lojas físicas em 2016, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo; e novas ferramentas de tecnologia para as vendedoras. No entanto, as iniciativas podem demorar a se refletir nos resultados.

A companhia informou pretende expandir a presença nas lojas da rede Raia Drogasil no primeiro semestre, ampliando as regiões em que atua, além de estudar a possibilidade de comercializar novas categorias. Por enquanto, a empresa vende apenas a linha "Sou" em lojas no interior de São Paulo.

Os analistas consideram correto o caminho da companhia, mas preferem ser cautelosos. "Nossa percepção é que o quarto trimestre ainda não mostra qualquer evidência de uma consistente recuperação das operações", diz Guilherme Assis, da Brasil Plural. O BTG afirmou que gostaria de ver um movimento mais efetivo da empresa em direção ao multicanal.

 

Fonte: Valor Econômico.


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