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ALANAC - Notícias do Setor

Grupo Stevanato monta fábrica de embalagem de insulina em MG

18 de Fevereiro de 2016

Por: Marcos de Moura e Souza

A família italiana Stevanato, uma das maiores fornecedoras mundiais da indústria farmacêutica, se prepara para fazer sua estreia no Brasil com a construção de uma fábrica em Minas Gerais. O plano é que a unidade produza embalagens para insulina para atender ao mercado doméstico e também aos países do Mercosul.

A fábrica está sendo projetada do zero na cidade de Sete Lagoas e receberá um investimento aproximado de € 25 milhões (o equivalente a R$ 108 milhões). A expectativa é que a produção dos cartuchos de insulina tenha início no quarto trimestre de 2017. Na semana passada, um dos executivos e herdeiros do fundador esteve na cidade mineira para a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da obra.

O grupo Stevanato, sediado na região italiana de Padova, perto de Veneza, está no negócio de envases de vidro (ampolas, frascos, cartuchos) desde 1949 ­ primeiro para a indústria cosmética e alimentar e depois para medicamentos, com sua marca OMPI. Hoje, tem entre seus clientes grandes laboratórios, entre os quais a Novo Nordisk, Sanofi, Eli Lilly, AstraZeneca, GlaxoSmithKline, Pfizer e Roche.

Nos últimos dez anos, a empresa registrou aumento de 15% a 20% de suas vendas anualmente. Dos € 20 milhões em 1999, chegou a 2014 com vendas de € 285 milhões. O resultado de 2015 ­ ainda por ser anunciado ­ deverá chegar perto dos € 340 milhões, se o padrão de crescimento dos anos anteriores se mantido.

A opção do grupo pelo Brasil vinha sendo estimulada por clientes da empresa no país, um deles a Novo Nordisk, que produz insulina na cidade de Montes Claros, também em Minas, e desejava ter um de seus fornecedores chave mais perto de sua fábrica brasileira. Os Stevanato vendem seus vidros para laboratórios o Brasil já há alguns anos; mas tudo o que chega ao mercado nacional é importado.

A desvalorização do real acabou favorecendo os planos dos Stevanato de produzir no Brasil porque os produtos que os clientes daqui traziam da Itália de repente começaram a ficar muito caros. Com a unidade brasileira, o grupo passará a ter dez fábricas no mundo. As outras estão localizadas na Itália, Eslováquia, Dinamarca, México e China.

"Muitos dizem que agora, no Brasil, não tem muito o que fazer, mas estamos vindo para cá com uma visão de longo prazo. A crise passa mais cedo ou mais tarde", disse ao Valor Marco Stevanato, 43 anos, vice­-presidente do grupo e um dos responsáveis pela expansão internacional das operações da família ­ expansão iniciada em 2005.

O executivo, neto do fundador e irmão do atual CEO (presidente-­executivo), Franco Stevanato, 42 anos, lembra que apesar do mau momento da economia brasileira, a indústria farmacêutica tende a sentir menos a retração. "Em todo o mundo, o mercado farmacêutico é anticíclico. Claro que em momentos de crise sempre há uma força de baixa nos preços, mas os volumes seguem crescendo", disse ele que chegou a Belo Horizonte no início da semana passada. "No negócio de insulina, por exemplo, não há crise." Ele apresenta a empresa da família como a líder mundial na fabricação de cartuchos para insulina.

Stevanato lembra que o Brasil é um mercado muito importante para o produto em função do contingente de pacientes com diabetes. E que além de laboratórios estrangeiros e brasileiros aqui ­ como Hypolabor e Butantã ­, a empresa vê um horizonte de novos e potenciais clientes. Um deles é a Biomm, cujo projeto da fábrica também fica em Minas; outro é a Fiocruz, no Rio, para o qual o grupo Stevanato está em meio a um processo de validação, segundo o italiano.

O grupo vê também como uma possibilidade adicional de negócios a venda de ampolas ou frascos para uma futura vacina contra o Zika vírus a ser usada no Brasil e países vizinhos. Pelo projeto, a fábrica terá 12 mil metros quadrados; cerca de 200 funcionários e 16 máquinas novas ­ fabricadas por uma divisão do próprio grupo.

No mercado de embalagens para medicamentos, os Stevanato concorrem, principalmente, com dois grupos alemães, um deles a Schott, que, na América Latina já tem forte presença e com a Gerisheiner.

 

Fonte: Valor Econômico


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