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ALANAC - Notícias do Setor

Ultrafarma cria segundo site de varejo e vai à China

16 de Fevereiro de 2016

Por: Adriana Mattos

A Ultrafarma, maior farmácia on­line do país, fundada pelo empresário Sidney Oliveira, vai abrir um site de venda de produtos de outras varejistas ("market place") no primeiro semestre, e em março, e começa a vender vitaminas com o nome do fundador na China. Conhecido do público por ser a imagem da marca no mercado ­ gasta R$ 50 milhões ao ano em propaganda ­ Oliveira tem buscado formas para, pelo menos, manter o crescimento do negócio na faixa atual de dois dígitos num momento de desaceleração do mercado e da própria empresa.

"Vamos vender tudo, até pneu se quiserem", diz Oliveira, sobre o "market place" da empresa, espécie de shopping virtual, em entrevista na noite de sexta-­feira passada na nova sede, um prédio alugado na zona sul de São Paulo. Quem vai até lá aguarda numa fila para despachar com Oliveira, 60 anos (três casamentos e 10 filhos), considerado centralizador e a personificação do próprio negócio.

Criada em 2000, a operação registrou expansão média nos últimos dez anos de 30% ao ano, segundo dados do IMS Health, mas houve desaquecimento recente nos negócios. Empresa diz que receita bruta passou de R$ 660 milhões em 2014 para R$ 750 milhões no ano passado, alta nominal de 14%, quase em linha com o crescimento do mercado em 2015, de 15% (incluindo desempenho de lojas físicas das redes).

A desaceleração, para o fundador, reflete em parte o amadurecimento do negócio e a base de comparação alta ­ apesar de a empresa já ter registrado crescimento mais forte em cima de bases altas no passado. "Eu queria crescer 40%, mas estou prevendo menos, cerca de 25% em 2016. Estamos com algumas iniciativas, mas que não movimentarão muito ainda [em vendas]", diz.

Para o mercado, a Ultrafarma enfrenta hoje um ambiente de competição bem mais acirrada do que no passado, e a disputa por cada venda piorou no comércio eletrônico com a crise no mercado de consumo. Drogasil entrou na venda on­line há dois anos e a Drogaria Pacheco, do Rio, reformulou todo o site em 2015.

Com a investida das grandes redes no comércio on­line, de forma mais organizada, agressiva e tirando proveito das altas escalas ­ a Raia Drogasil e a Drogarias Pacheco São Paulo faturam dez vezes mais que a Ultrafarma ­ a disputa tem exigido mais caixa das empresas e cobrado menos erros. "Temos quase 50% de 'share'. Já foi mais do que isso anos atrás [...]", responde Oliveira, quando questionado sobre o assunto. "Mas conseguimos ainda trabalhar com margem [bruta] menor do que eles [concorrentes]. A nossa está em 25% [média das cadeias líderes de mercado vaia de 27% a 29%] e consigo vender mais barato tirando dessa minha margem, se for para vender mais. Eles não podem fazer isso, têm sócios, fundos", diz.

Questionado sobre investimentos e situação de caixa, Oliveira admite, porém, que não poderá usar saldo de caixa para desembolsos maiores na operação. Um desses investimentos é a construção de um novo centro de distribuição (o segundo do grupo) na Via Dutra (SP), por R$ 35 milhões.

"Não tenho condição de construir com capital próprio. Não é uma opção hoje, não dá. Ou usamos linhas do BNDES, com taxas também que não são lá tão baixas, ou vamos alugar uma área. Já temos o terreno para uma construção, mas isso não está decidido ainda", disse. Quanto ao "market place", o nome pode ser ultralife.com.br, mas o endereço ainda deve ser confirmado pela empresa ao mercado. O plano é vender qualquer produto. "Eles fazem a entrega e nós administramos o site. Mas não venderemos serviços para o lojista".

Entre as ações que estão sendo planejadas também está o reforço da venda por catálogo, no sistema porta a porta, buscando novas consultoras (chegou a cadastrar 200 em um único dia neste ano, de um total de 30 mil revendedoras). A empresa também vai mudar o nome do catálogo de Rahda (marca de alguns cosméticos que vende) para Sidney Oliveira. Ainda estuda a abertura de uma única megaloja para reunir as operações das quatro lojas físicas atuais.

Oliveira ainda vai começar a vender, em março, suas vitaminas (que estampam seu rosto na embalagem) para o mercado chinês, por meio de um operador logístico da Ásia ­ a empresa analisou três propostas de empresas e está escolhendo um parceiro. Na semana passada, Oliveira esteve com executivos do Alibaba para negociar a venda de suas vitaminas nos sites Taobao.com e 1688.com, duas lojas on­line da rival da Amazon.

Sobre a rápida expansão da Ultrafarma anos atrás, Oliveira diz que isso foi reflexo da política de preços agressivos voltada para a venda de genéricos. "Isso incomodou eles [concorrentes]", repete, como é recorrente em suas entrevistas. Também repete que dois processos que envolveram o seu nome na Justiça e o levaram a cumprir pena em liberdade ­ receptação de mercadoria roubada e falência fraudulenta de uma antiga farmácia ­ são questões passadas. "Foi armação. Era uma seringa que nos venderam e era roubada".

 

Fonte: Valor Econômico


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