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ALANAC - Notícias do Setor

Registros de dengue crescem 48% no país no começo de 2016

12 de Fevereiro de 2016

Por: Natália Cancian

Apenas nas três primeiras semanas deste ano, a quantidade de casos prováveis de dengue alcançou 73.872 notificações no país. O número representa um crescimento de 48% em relação ao mesmo período do ano passado, quando havia 49.857 registros.

Ao todo, 15 Estados tiveram aumento nos casos de dengue nos primeiros 20 dias de 2016 em relação ao mesmo período de 2015 ­ano em que foi registrada a pior epidemia da doença no país.

Os dados, que fazem parte de novo balanço do Ministério da Saúde, reforçam a avaliação de que a dengue tem preocupado mais cedo a cada ano. O auge dos casos, historicamente, é perto de abril.

Desta vez, a elevação começou em outubro e disparou no início deste ano. Para especialistas ouvidos pela Folha, a alta precoce dos casos reforça a possibilidade de nova epidemia em 2016 ­apesar de os casos mais graves terem sofrido recuo.

O aumento de casos de dengue também acende o alerta para o risco de outras doenças transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti, como chikungunya e zika ­esta última, relacionada ao aumento de casos de microcefalia em bebês.

O balanço de casos considerados como prováveis de dengue é feito com dados enviados pelos municípios e Estados ao ministério, após atendimento de pacientes nas redes de saúde. A doença é notificada após diagnóstico clínico feito pelos médicos.

O Estado com maior número de casos é Minas Gerais, que registrou 19.469 notificações de dengue somente nas três primeiras semanas de 2016, um aumento de 553% no período. Eram 2.977 no mesmo intervalo de 2015.

São Paulo, por sua vez, teve queda nos registros, de 24.330 para 18.178. O número, porém, pode ser maior, pois muitos municípios ainda não enviaram todos os dados, segundo o coordenador de controle de doenças no Estado, Marcos Boulos.

Ele lembra que algumas cidades do Estado já apresentam situação de epidemia, quando há mais de 300 casos por 100 mil habitantes ­Ribeirão Preto e Presidente Prudente, por exemplo.

Ainda segundo Boulos, a infestação do aedes aumentou no Estado no último ano. "Isso se demonstra até pela epidemia também de zika. Não é um cenário otimista."

Já o Estado com maior incidência de dengue (ou seja, maior proporção de casos na população) é o Mato Grosso do Sul. Lá, o balanço aponta cerca de 115 casos da doença a cada 100 mil habitantes.

 

CASOS GRAVES

Enquanto o número de casos mostra crescimento, o número de mortes diminuiu no mesmo período. De 50 óbitos no início de 2015, os registros foram a quatro até 23 de janeiro deste ano.

O número de casos graves de dengue ou com os chamados "sinais de alarme" ­ou seja, quando a doença pode se agravar rapidamente­ passou de 622 para 146.

Para o ministério, a queda indica que as unidades estão em alerta para a doença, o que permite que os casos sejam tratados mais rapidamente.

Para o Ministério da Saúde, essa diminuição no número de casos graves e de mortes indica que as unidades de saúde estão mais alertas para a doença, o que permite que os casos sejam tratados mais rapidamente, informa.

 

OUTRAS DOENÇAS

O aumento de casos de dengue também acende o alerta para o risco de outras doenças transmitidas pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, como zika e chikungunya.

Hoje, o vírus zika já tem circulação confirmada em 21 Estados do país, além do Distrito Federal. Já a chikungunya têm ao menos 20 mil casos notificados desde 2015.

Apesar do alerta pelo avanço dos novos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, o infectologista Carlos Magno Fortaleza reforça que é preciso manter o alerta para diagnosticar rapidamente os casos de dengue.

"Dengue é muito mais perigoso que zika. Já são três mortes por zika. Mas o número de mortes por dengue ainda é muito maior", ressalta.

Segundo ele, alterações climáticas, com períodos mais longos de calor, somados ao acúmulo de água e lixo nas cidades, fatores que facilitam a proliferação do mosquito transmissor, colaboram para o aumento de casos.

"Temos um comportamento humano urbano cada vez mais propício à proliferação do mosquito. Precisamos de uma grande mudança de hábito", afirma, referindo­se à necessidade de eliminação de criadouros do mosquito.

"Não iremos resolver o problema do mosquito só com repelente ou veneno. Ou tomamos medidas, ou vamos ter dengue por muito tempo como temos agora."

 

Fonte: Folha de São Paulo.


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