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ALANAC - Notícias do Setor

Gasto em inovação recua no Brasil

28 de Outubro de 2014

 

As mil empresas que mais investem em inovação estão gastando US$ 647 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) neste ano, um valor recorde, mas com aumento de apenas 1,4% em relação a 2013. No Brasil, os investimentos somam US$ 2,65 bilhões, com queda de 12,2% sobre os US$ 3,02 bilhões apurados em 2013. Na comparação em reais, a queda é de 3,4%, para R$ 5,88 bilhões.
 
O Brasil adicionou três empresas e perdeu uma na lista das mil maiores de capital aberto que mais investem em P&D no mundo. A lista é elaborada pela consultoria americana Strategy&, antiga Booz & Company (ver quadro abaixo).
 
As novatas são Natura, do setor de cosméticos; WEG, fabricante de motores elétricos e Eletrobras, holding do setor de energia. A CPFL Energia saiu da lista deste ano porque seu investimento ficou abaixo do nível de classificação.
 
A Vale, que liderou a lista das brasileiras nos últimos anos, foi ultrapassada pela Petrobras. A mineradora caiu 71 posições, enquanto a petroleira avançou 9, assumindo a melhor colocação entre as brasileiras. As duas empresas diminuíram seus investimentos, mas em proporções bem diferentes. A Petrobras os enxugou em 1,8%; a Vale, em 44,8%, em relação a 2013.
 
Enquanto o Brasil mostrou recuo nos investimentos em P&D, a soma de investimentos das mil empresas globais soma US$ 647 bilhões em 2014 - valor que supera o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina ou da Colômbia. Mas o ritmo de avanço diminuiu para 1,4%, uma das menores taxas da série histórica.
 
Fernando Fernandes, sócio da Strategy&, diz que o crescimento global mais lento dos gastos em P&D reflete a situação econômica delicada, mas também a possibilidade de uma melhor capacidade de distribuição de investimentos pelas empresas: "Várias delas são mais eficientes no uso de recursos hoje do que eram há dez anos. O avanço no aprendizado, o alinhamento da pesquisa à estratégia de negócio e a melhora das ferramentas se traduzem em ganhos de eficiência e melhores investimentos."
 
Empresas com sede na América do Norte, Europa e Japão continuam a dominar o investimento em P&D, mas com fatias menores do que tinham no passado. A América do Norte aumentou seus gastos em 3% neste ano; a Europa, em 2%. Já o Japão reduziu em 14%. "Isso abriu espaço para que outras companhias, como as brasileiras, ganhassem espaço. A adição no ranking é, também, consequência de um histórico de decisões acertadas das empresas nacionais, que aparecem agora", diz Fernandes.
 
Hoje, a maioria dos gastos em inovação (52%) vai para produtos. Em dez anos, a expectativa é que os serviços ocupem a liderança, com uma fatia de 62%. Segundo o sócio da Strategy&, as empresas estão mais voltada para a inteligência de uso de recursos, bens e produtos do que para a criação de tecnologias que representem uma ruptura com padrões anteriores. Ele observa que, enquanto alguns segmentos reduzem de forma consistente o investimento em P&D, o setor de software e internet lidera a categoria há anos.
 
A Volkswagen e a Samsung continuam no topo da lista, seguidas por Intel e Microsoft, respectivamente. Google desbancou a farmacêutica Pfizer.
 
A Natura lançou 179 produtos em 2013 e obteve mais da metade de sua receita como resultado de práticas de P&D. "A inovação tem de ser central na estratégia de negócio. Não é apenas uma área, mas permeia a cultura do grupo", diz Gerson Pinto, vice-presidente de inovação da Natura. A empresa destina cerca de 3% da receita líquida anual ao segmento.
 
Da receita anual da Weg, 2,7% é investida em inovação. Como resultado, em 2013, 65,1% do faturamento do Grupo Weg veio de produtos lançados nos últimos cinco anos. Na unidade de motores, o índice corresponde a 83%.
 
 
 
Fonte: Valor Econômico


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