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ALANAC - Notícias do Setor

Ações do BTG caem 9,47% e crise de confiança contamina a BR Pharma

08 de Dezembro de 2015

Por: MARIANA DURÃO, FERNANDO SCHELLER, MÔNICA SCARAMUZZO, CÉLIA FROUFE, ALINE BRONZATI, FERNANDA GUIMARÃES e CYNTHIA DECLOEDT - 07 de dezembro de 2015 
 
Mesmo após FGC anunciar ajuda de até R$ 6 bilhões, papéis do BTG têm nova queda e acumulam baixa de 41,6% desde a prisão de André Esteves, contaminando negócio de farmácias da instituição; banco anunciou ampliação de compra de units
 
A desconfiança do mercado financeiro em relação ao BTG Pactual teve um novo capítulo nesta segunda-feira, 7. As units (lote de ações) do banco caíram 9,47%, atingindo nova mínima, cotadas a R$ 17,58%. A desvalorização chega a 41,6% desde 25 de novembro, data da prisão de André Esteves, ex-presidente da instituição, por suspeita de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.
 
Além da queda dos papéis do banco, que não tiveram alento nem com o anúncio de uma ajuda de até R$ 6 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a BR Pharma, braço de varejo de farmácias com participação no banco, perdeu quase um quarto de seu valor na Bolsa (24,57%), fechando a R$ 10,10.
 
Nesta segunda-feira, o banco pediu o aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar a aquisição de units adicionais até o limite de 93,8 milhões – se a compra for confirmada, representaria cerca de 41% das units em circulação, o que reforça a tese de que o banco pode fechar seu capital. No dia da prisão de Esteves, o banco divulgou um programa de recompra de ações de até 23 milhões de units argumentando que pretende realizar a aplicação eficiente dos recursos disponíveis em caixa e maximizar a alocação de capital da empresa. 
 
No negócio de farmácia BR Pharma, o BTG tem cerca de 45%. O ativo é considerado problemático e precisa com urgência de um aporte por causa de seu alto endividamento.
Segundo fontes de mercado, a queda brusca do papel poderia ser explicada pelo receio de que um aporte de R$ 600 milhões no negócio – anunciado semanas antes da prisão de Esteves – poderia não ocorrer. Depois do fechamento do mercado, o banco reafirmou, em comunicado, a intenção de fazer a capitalização.
 
Para o mercado, a venda da BR Pharma atrairia mais interesse, se fosse negociado em partes. Redes como a paraense Big Ben poderiam ser consideradas atraentes pela concorrência. Principal rival da Big Ben no Pará, a Extrafarma, do Grupo Ultra, poderia ter interesse em bandeiras, mas não no todo, segundo fontes. O Ultra não comenta. Um empresário do setor disse, porém, que a venda de fatias da BR Pharma poderia ser interpretada como admissão de que o banco não se vê em condições de salvar o negócio.
 
O BTG continua trabalhando para vender negócios não estratégicos. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que os sócios chilenos do BTG estão interessados em recomprar a operação naquele país. O banco brasileiro, no entanto, não teria interesse em fechar a venda deste ativo por enquanto.
 
Entre os ativos de private equity (participações em empresas), o BTG está oferecendo a rede de academias Body Tech, a empresa de mídia UOL, concessionárias da Mitsubishi, a varejista Leader, a Bravante (área naval), a Petro África e até a BR Pharma. Segundo fontes, o melhor ativo do banco em private equity seria a rede de estacionamentos Estapar, avaliada em cerca de R$ 1,5 bilhão.
 
Banco Central. Enquanto o BTG tenta vender ativos e estancar a fuga de investidores, o Banco Central ainda está dando prazo para que a instituição consiga resolver sozinha seus problemas, sem que a autoridade monetária tenha de atrair de forma direta sobre ela. “Estamos acompanhando de perto”, disse uma fonte.
 
Segundo a fonte, o BC considera que, desde o afastamento de Esteves, o BTG tem tomado medidas positivas de governança corporativa. O BC está dando tempo para que o BTG possa se reorganizar para evitar que o banco saia do sistema. Por causa disso, o fato de o grupo ter se desfeito de algumas empresas para manter a liquidez foi visto como “positivo”. Apesar de monitorar o BTG, o entendimento da autoridade monetária é que cabe ao banco, e não ao BC, sanar seus problemas.
 
Fonte: O Estado de São Paulo 
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