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ALANAC - Notícias do Setor

Valeant pode elevar oferta por fabricante do Botox

28 de Outubro de 2014

 

A Valeant anunciou estar disposta a elevar sua oferta pela Allergan para cerca de US$ 60 bilhões na tentativa de forçar a fabricante de um dos grandes sucessos no tratamento contra rugas, o Botox, a negociar o que seria a maior aquisição do ano. O grupo canadense está "preparado para melhorar sua oferta e oferecer um valor de pelo menos US$ 200 por ação a seus acionistas", segundo carta do executivo-chefe da Valeant, Michael Pearson para o conselho de administração da Allergan.
 
O valor é mais de US$ 15 superior ao preço de fechamento da ação da Allergan na sexta-feira e cerca de US$ 25 a mais do que o atual valor da oferta da Valeant, composta de uma parte em ações e outra em dinheiro. A nova oferta da Valeant, no entanto, parece depender da suposição de que o preço das próprias ações vai subir para cerca de US$ 150, aproximadamente US$ 20 a mais do que o nível atual.
 
"Acreditamos que nossas ações estão cotadas a níveis artificialmente muito baixos", escreveu Pearson na carta. Se as ações chegassem a US$ 150, a empresa teria de adicionar mais US$ 1 bilhão, ou US$ 3,50 por ação, em dinheiro para que a oferta total fosse de US$ 200 por ação.
 
A fabricante do Botox resiste-se com todas as forças à oferta hostil da Valeant, que é defendida pelo acionista ativista Bill Ackman. A Pershing Square, veículo de investimentos de Ackman, é o maior acionista da Allergan com participação de quase 10%.
 
A batalha pela Allergan tornou-se a transação mais complexa e longa no capítulo frenético de fusões e aquisições do setor farmacêutico deste ano. Também poderá ser a maior, agora que a oferta da AbbVie pela Shire, de 35 bilhões de libras esterlinas (US$ 56,35 bilhões) foi abandonada e que as chances de a Pfizer revisar sua oferta de 69 bilhões de libras pela AstraZeneca diminuíram muito.
 
A Valeant divulgou a carta depois de o lucro da Allergan no terceiro trimestre ter superado as previsões e registrado o maior aumento na história em suas vendas trimestrais. O lucro por ação foi de US$ 1,78, acima da previsão dos analistas do mercado, de US$ 1,68. A receita somou US$ 1,82 bilhão. A Allergan minimizou a importância da carta, considerando-a "uma tática para distrair os investidores" de seus "resultados excepcionais no terceiro trimestre".
 
"A carta da Valeant não indica um aumento no valor da oferta de troca nem revela a composição [da oferta] em questão - em vez disso, a Valeant faz o possível para defender o preço das próprias ações e para desacreditar a Allergan", destacou a empresa em comunicado.
 
Na semana passada, o executivo-chefe da Valeant indicou que o grupo preparava uma oferta maior, mas não quis dar nenhum detalhe. "Nós temos um pouco mais de pólvora para o momento apropriado, quando as condições forem adequadas [...] estamos contemplando e vamos tomar a decisão a qualquer momento", disse Pearson.
 
Pearson defende a Valeant contra as críticas da Allergan a sua estratégia. A fabricante do Botox declarou que o modelo de negócios da Valeant é um "castelo de cartas" insustentável, construído sobre aquisições altamente alavancadas, aumentos de preços e cortes de custos.
 
Enquanto tenta fugir do controle da Valeant, a Allergan, por outro lado, busca suas próprias aquisições, como a compra da Salix por US$ 12 bilhões, numa operação que a tornaria grande demais para ser absorvida pela Valeant. A companhia também cogitou sua venda para outros ofertantes rivais, como a Actavis, de aproximadamente US$ 200 por cada ação.
 
Fonte: Valor Econômico


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