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ALANAC - Notícias do Setor

Conselho de farmácia autua USP por suposta droga anticâncer

04 de Novembro de 2015

Por: Fernanda Athas 
 
"É a mesma coisa que você preparar um remédio na sua cozinha", afirma Pedro Eduardo Menegasso, presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), sobre as condições em que são produzidas as pílulas de fosfoetanolamina no Instituto de Química da USP de São Carlos.
 
O conselho autuou, na última quarta-feira (28), a USP pela produção e distribuição da substância, que supostamente tem efeitos contra o câncer, sem a presença de um profissional farmacêutico.
 
Segundo o conselho, a USP tem cinco dias para se adequar às normas, que incluem a contratação de um responsável técnico e mudanças nas instalações, ou recorrer da liminar. Caso a universidade não cumpra a exigência, será lavrada multa.
 
A sanção seria uma porcentagem do lucro obtido com a distribuição da substância. No entanto, como não houve comércio da fosfoetanolamina, a multa será simbólica.
 
SEGURANÇA
 
Fiscais foram até o Instituto de Química para averiguar as condições do laboratório de acordo com normas de segurança para a produção.
 
"Não existem condições estruturais para a produção de insumos farmacêuticos ali que garantam a proteção a saúde das pessoas. O local é completamente inadequado", afirma Menegasso.
Após a fiscalização, o conselho notificou a Vigilância Sanitária. "A vigilância pode inclusive fechar, se for o caso", enfatiza Menegasso.
 
"Entendo a situação das pessoas que querem a substância, que forçosamente pela Justiça se tornou um medicamento, mas é necessário que se cumpram as normas. Não há nenhum farmacêutico na linha de produção. É um laboratório didático para ensino de química, imagine, sem condições adequadas."
 
O conselho informou ainda que a fosfoetanolamina tem sido utilizada como medicamento para consumo humano e, nesse caso, cabe ao CRF a fiscalização e a exigência de um profissional para fazer "a atenção farmacêutica aos pacientes".
 
A fosfoetanolamina não foi testada em pesquisas clínicas, nas quais são avaliadas a segurança e a eficácia de medicamentos em humanos. Apesar disso, a Justiça concedeu liminares que obrigaram a USP a produzi-la e fornecê-la gratuitamente.
 
Fonte: Folha de São Paulo 


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