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ALANAC - Notícias do Setor

Criador defende suposta droga anticâncer

30 de Outubro de 2015

Por: Natália Cancian
 
O professor aposentado de química da USP Gilberto Chierice defendeu nesta quinta (29) a fosfoetanolamina, substância com suposta ação contra o câncer que, apesar de não ter passado por testes clínicos em humanos, despertou o interesse de pacientes pelo País. “Não tenho um dado clínico de todas essas pesquisas. Mas tem muita gente que tomou”, disse em audiência audiência pública sobre o caso na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.
 
“É uma situação que chega a ser constrangedora. Ela [a substância] já foi chamada de garrafada, de pilulinha mágica”, disse. Chierice comentou o período em que ele afirma ter sintetizado a substância em parceria com o hospital Amaral Carvalho, localizado em Jaú, no interior de São Paulo.
Sem entrar em detalhes ou apresentar documentos, o professor afirmou que pesquisas sobre a substância foram realizadas e cumpriram regras do Ministério do Saúde. “Cadê? Vocês têm que pedir para o hospital. O hospital abandonou (as pesquisas), e eu sei qual é o motivo”, disse, sem, porém, informar tais razões.
 
O hospital de Itu afirma que o convênio com a USP não tinha relação com a fosfoetanolamina, mas sim com estudos com substâncias derivadas da mamona, embora a instituição tenha dito à reportagem que não seria possível apresentar os documentos relativos ao acordo.
 
No seu discurso, Chierice negou ter feito “exercício ilegal da medicina” ao distribuir o composto e disse que as doses da substância foram recomendadas pelo hospital após os primeiros testes com pacientes.
 
EMBATES
 
A fosfoetanolamina tornou-se objeto de embate depois que decisões da Justiça obrigaram a USP a produzi-la e fornecê-la a mais de mil pessoas, apesar de não ter comprovação de eficácia devido à falta de testes.
 
Em nota, a USP já informou que a fosfoetanolamina não é remédio, foi estudada como produto químico e não há “demonstração cabal de que tenha ação efetiva contra a doença”.
 
A universidade disse ainda não ser uma indústria química ou farmacêutica e que não tem condições de produzir a substância em larga escala para atender às “centenas de liminares”.
 
Após ouvir a nota lida no início da audiência no Senado, Chierice reagiu: “Acho que o reitor deveria primeiro experimentar”.
 
SEM COMPROVAÇÃO
 
A fosfoetanolamina tornou-se objeto de embate depois que decisões da Justiça obrigaram a USP a produzi-la e fornecê-la a mais de mil pessoas, apesar de não ter comprovação de eficácia devido à falta de testes.
 
Em nota, a USP já informou que a fosfoetanolamina não é remédio, foi estudada como produto químico e não há "demonstração cabal de que tenha ação efetiva contra a doença".
A universidade disse ainda não ser uma indústria química ou farmacêutica e que não tem condições de produzir a substância em larga escala para atender às "centenas de liminares".
Após ouvir a nota lida no início da audiência no Senado, Chierice reagiu: "Acho que o reitor deveria primeiro experimentar".
 
Planejada para discutir as evidências disponíveis, o encontro acabou por se tornar um ato de apoio à fosfoetanolamina, com maior número de convidados favoráveis à substância e críticas àqueles que faziam ressalvas sobre a falta de comprovação de segurança.
 
Além de Chierice, estiveram no encontro pesquisadores da USP e Butantan que apresentaram dados de pesquisas pré-clínicas com a substância, para as quais a substância age apenas nas células tumorais, sem afetar as demais. Um grupo de pacientes na plateia apoiava e aplaudia Chierice.
 
PESQUISAS
 
Em meio às reações do público, coube ao presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Jarbas Barbosa, esclarecer que todos os dados apresentados se referem apenas a testes iniciais e apresentar as etapas de desenvolvimento da pesquisa clínica, que envolvem três fases na qual são testadas toxicidade, segurança e eficácia.
 
"A regulação sanitária é importante para proteger a saúde da população. Medicamentos e vacinas não são inócuos. Para não ir muito atrás, cito um medicamento recente que foi tido como milagre e acabou cancelado porque se descobriu que ele aumentava o risco de infarto", afirmou, referindo-se ao medicamento Vioxx.
 
"Qual a barreira? É de demonstrar cabalmente que um medicamento não é capaz de produzir males à saúde de quem vai utilizar", disse.
 
Segundo Barbosa, a agência está disposta a dar aval para novas pesquisas caso solicitado. "Dentro do nosso papel faremos todo o possível para que dúvidas sejam retiradas e o processo de pesquisa clínica seja realizado em condições adequadas", completou.
 
O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, disse que a pasta deve formar um grupo de trabalho com pesquisadores para discutir a substância.
 
Fonte: Folha de São Paulo


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