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ALANAC - Notícias do Setor

Remédios mais caros

21 de Outubro de 2015

A decisão do Ministério da Saúde em cortar, no orçamento para o exercício de 2016, subsídios de R$ 578 milhões até então garantidos ao programa social Farmácia Popular acendeu mais um sinal de alerta quanto à gravidade da crise financeira em curso e obriga a população a buscar adaptação ao cenário de dificuldades. Estimativa da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) é que aproximadamente três milhões de pessoas deixarão de ser beneficiadas com a ação responsável por assegurar descontos nas farmácias e drogarias da rede privada.
 
Assustador é o fato de o corte imposto pelo Ministério da Saúde chegar ao mercado durante o mesmo período em que a indústria farmacêutica enfrenta diversos obstáculos para evitar os efeitos da inflação e valorização do dólar no preço dos medicamentos. A tendência nos próximos dois meses é que os remédios fiquem cada vez mais caros, afetando o consumidor final nas farmácias. Os descontos oferecidos a distribuidores e varejistas têm se tornado mais raros. O acesso à saúde novamente se apresenta como privilégio de poucos.
 
A concorrência entre as empresas consolidadas na indústria farmacêutica sempre estimulou a prática de descontos pelos distribuidores e varejistas, contudo, a crise econômica tem atingido o setor pelo menos desde o início do segundo semestre, abolindo as promoções que permitem a venda de medicamentos mais baratos. A maioria dos princípios ativos utilizados nos remédios comercializados procede do exterior e, assim, não existe alternativa de resistir à escalada altista da cotação do dólar.
 
O varejo também não tem condições de evitar que a alta dos preços praticados pela indústria farmacêutica não chegue ao consumidor. Até mesmo os genéricos deverão ser atingidos. A legislação obriga os medicamentos incluídos nessa modalidade a serem vendidos pelo menos 35% mais barato na comparação com o preço do remédio de referência.
 
Atualmente, entretanto, o percentual obedecido chega à média de 50%. Outros chegam a ser comercializados até 85% mais baratos.
 
Os indicadores econômicos denunciam que o período de bonança já passou. A inflação medida pelo IPCA de janeiro a setembro alcançou o patamar de 6,44% para os medicamentos. Em todo o ano passado, o índice registrado foi de apenas 4,93%. Os produtos que mais sofreram alta em 2015 são os gastroprotetores (9,14%) e psicotrópicos (8,13%).
 
A indústria farmacêutica não sentiu o impacto da crise econômica durante o primeiro semestre. Apesar de ter havido queda brusca no número de remédios vendidos entre março e abril, a redução é considerada normal, devido ao reajuste anual que sempre ocorre neste período. De abril a julho, as unidades vendidas cresceram mensalmente, segundo dados do Sindusfarma e PróGenéricos. Já em agosto, na comparação com o mês anterior, foi registrada queda semelhante à contabilizada no início do ano.
 
O corte no programa Farmácia Popular, portanto, vai na contramão de atendimento à necessidade básica da população. Se o mercado não garante mais preços acessíveis, o poder público não pode ignorar três milhões de pessoas prejudicadas e apenas esperar a compreensão de que é preciso aguardar o retorno à normalidade. Diante desse quadro, será cada vez mais difícil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) combater problema frequente da comercialização de medicamentos em feiras livres, sem a exigência de receita médica e sem controle de qualidade.
 
Fonte: Diário do Nordeste 


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