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ALANAC - Notícias do Setor

Representante comercial foi preso por produzir substância ilegalmente

16 de Outubro de 2015

Por: LUCAS REIS 
 
De representante comercial, Carlos Kennedy Witthoeft, 51, virou aprendiz de químico –e ficou 17 dias preso por falsificação de medicamento, em junho, após denúncia à Vigilância Sanitária.
 
Era o fim da produção caseira das cápsulas em Pomerode (SC). A substância supostamente curaria o câncer.
 
Tudo começou em 2007, quando Witthoeft recebeu a notícia de que sua mãe tinha câncer de útero. O catarinense soube de um professor da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos (SP) que desenvolvera uma substância que poderia ajudar no tratamento contra a doença.
 
Trata-se da fosfoetanolamina sintética, produzida no Instituto de Química da USP e pivô de uma polêmica que envolve a universidade e a Justiça. No dia 9, o TJ (Tribunal de Justiça) liberou a distribuição da droga a pacientes que tinham liminares –estima-se que haja mais de mil ações do gênero.
 
CÁPSULAS
 
O professor em questão era Gilberto Chierice, que coordenou as pesquisas da droga sintética e forneceu a Witthoeft algumas cápsulas.
 
Menos de 20 dias depois de ingerir a cápsula, a mãe dele já conseguia sair de casa, segundo relato do advogado de Witthoeft, Ricardo Deucher.
 
Ao tentar obter mais cápsulas, o catarinense ouviu a negativa do professor, que alegou incapacidade de fornecer o produto. Pediu, então, a Chierice a ensiná-lo a sintetizar a fosfoetanolamina. Após quase quatro meses, voltou a Pomerode e iniciou a produção.
 
Com ajuda da mulher, o representante comercial passou a manipular a droga. Em pouco tempo, a notícia se espalhou. Pessoas vinham até de outros municípios para pedir a substância. Segundo o advogado, Witthoeft não vendia as cápsulas, e o dinheiro necessário para a matéria-prima e os aparelhos era proveniente de doações.
 
Em 2008, ele passou a dedicar-se exclusivamente às cápsulas. A produção durou até a metade deste ano, quando uma denúncia anônima levou a polícia e a Vigilância Sanitária à casa dele.
 
Witthoeft ficou preso por 17 dias, até ser liberado por um habeas corpus. Ele responde, porém, pelo crime de falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto para fins medicinais, incluindo a produção e venda. A pena pode chegar a 15 anos de prisão.
 
Relatos e laudos médicos que atestam a evolução do tratamento serão usados pela defesa de Witthoeft –ele não quis dar entrevista. Na internet, há petições que pedem sua liberdade.
 
O advogado diz que Witthoeft entrou em depressão –a mulher dele morreu dias após sua saída da prisão. "Era algo filantrópico, ele fazia apenas para ajudar", diz Deucher.
 
Fonte: Folha de São Paulo


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