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ALANAC - Notícias do Setor

Professora sofre trombose após uso de anticoncepcional e mostra mais casos

06 de Outubro de 2014

A professora universitária Carla Simone Castro, 41, teve uma trombose cerebral seis meses após iniciar o uso de um anticoncepcional. Ela relatou o caso em um vídeo postado na rede e compartilhado por quase 140 mil pessoas.

 
Carla e uma vítima de embolia pulmonar abriram uma página no Facebook para alertar mulheres sobre efeitos adversos da pílula. Leia o depoimento abaixo.
 
“Comecei a tomar anticoncepcional, com receita médica, em janeiro deste ano, porque sofro de miomas uterinos. Fui a uma ginecologista, fiz uma série de exames, incluindo exames cardíacos. Nunca tinha tomado anticoncepcional na vida.
 
Comecei a ter muita dor de cabeça. Só que, por azar, 30 dias antes eu tinha recebido diagnóstico de sinusite, então a médica dizia que provavelmente [a dor] era disso.
 
No dia 8 de agosto, acordei com muita dor e uma congestão nasal diferente, parecia que meu nariz estava entupido dentro da cabeça.
 
Fui a uma otorrino, ela disse que eu estava com uma crise alérgica e me receitou anti-inflamatórios.
 
No dia seguinte, acordei com a visão duplicada e, na manhã seguinte, acordei sem enxergar nada. A dor me fazia ter vontade de bater a cabeça na parede.
 
Fui ao hospital, passei por três neurologistas, fiz duas tomografias. Recebi o diagnóstico de enxaqueca e crise de ansiedade. Marcamos uma ressonância, e o laudo foi trombose venosa cerebral.
 
No consultório, comecei a passar mal, tive uma convulsão durante uma coleta de sangue. Fui direto para a internação. Fiquei 55 dias com a visão duplicada. Agora estou só sem visão periférica.
 
Quando cheguei ao consultório do neurologista, não tinha movimento na perna direita. Primeira coisa que o médico me perguntou: "Você fuma, bebe, é hipertensa, diabética, tem histórico familiar?". Eu respondi que não.
 
 
E ele me fez a pergunta clássica, que aparece em todos os depoimentos recolhidos na página do Facebook: "Você toma anticoncepcional?". Na hora que eu disse "sim", ele me mandou parar imediatamente. Eles não têm
dúvida de que é o anticoncepcional. 
 
Algumas pessoas têm uma predisposição à trombofilia, não podem tomar hormônio. Esse é um exame que os ginecologistas não pedem. Receitam anticoncepcional e só pedem o exame quando a paciente conta que já teve um caso na família.
 
Mas nada impede que ela seja o primeiro caso. Pelos exames até agora, não há confirmação de que eu tenha predisposição genética.
 
VÍDEO 
 
Fiz um vídeo para contar aos meus amigos e alunos o que tinha acontecido e ele foi compartilhado 140 mil vezes. Comecei a receber relatos de problemas parecidos com o meu. Abri uma página no Facebook chamada "Vítimas de anticoncepcionais". Já recebemos mais de mil relatos em duas semanas.
 
Perguntei à Anvisa sobre o remédio que tomei, da Bayer, o Yasmin, que contém a drospirenona –mas os relatos que começamos a receber são de todas as marcas.
 
Perguntei à Anvisa quantos relatos existiam de problemas como o meu, que os laboratórios afirmam ser raríssimos. A Anvisa me disse que, em dez anos, recebeu três. Mas descobri que a agência não obriga médicos a relatarem esses problemas.
 
Só de trombose cerebral, tenho 108 relatos. Como os laboratórios e o governo podem afirmar que o que aconteceu comigo e com as outras pessoas são casos raros se o Brasil não tem estatísticas?
 
Tenho relatos de pessoas que estão sem andar, que ficaram em coma, que amputaram membro, perderam a visão. Todos os médicos associam ao anticoncepcional.
 
Não há um controle da venda desse medicamento, qualquer menina de 14 anos compra na farmácia.
 
Nem todo mundo que fuma vai ter câncer, nem todo mundo que toma anticoncepcional vai ter trombose. Mas, se tem risco, tem que ser comunicado. Está na bula, mas ninguém lê bula. Vou fazer uma denúncia ao Ministério Público Federal, vou brigar por um aviso na embalagem.
 
Fonte: Folha de São Paulo


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