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ALANAC - Notícias do Setor

Mineiros descobrem botox à base de veneno de cobra

30 de Julho de 2015

Por Cláudia Collucci 
 
Pesquisadores de Minas Gerais desenvolveram um medicamento à base de veneno de cobra cascavel que age como bloqueador neuromuscular, efeito semelhante ao da toxina botulínica (Botox).
 
Chamada crotoxina, a substância está sendo testada no tratamento do estrabismo, distúrbio que afeta o paralelismo entre os dois olhos.
 
Hoje, uma opção de tratamento são aplicações de toxina botulínica. Ela causa paralisia transitória do músculo. O relaxamento muscular ajuda a restaurar o equilíbrio nos músculos que controlam o movimento dos olhos.
 
A pesquisa está sendo desenvolvida por meio de parceria entre a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), as secretarias de Estado da Saúde e de Ciência e Tecnologia de Minas, com apoio do Sebrae Minas.
 
Segundo a farmacêutica Ana Elisa Ferreira, foram feitos testes laboratoriais e com coelhos. Agora, a equipe busca mais parcerias para realizar outros testes ainda na fase experimental (como de toxicidade entre outros). O investimento estimado é de R$ 1 milhão. Só depois vão acontecer os testes em humanos.
 
Ana diz que, nos primeiros testes com animais, a neurotoxina apresentou vantagens sobre a toxina botulínica. "Os efeitos parecem ser mais duradouros, tornando as aplicações menos frequentes."
 
Para oftalmologista Geraldo de Barros Ribeiro, da UFMG, a crotoxina pode ser uma opção quando o paciente não responde mais às aplicações da toxina botulínica.
 
"O botox causa uma reação imunológica [formação de anticorpos]e, após algumas aplicações, deixa de fazer o efeito desejado. Teoricamente, a crotoxina é menos imunogênica e deverá estimular menos a formação de anticorpos."
 
A crotoxina é a principal toxina do veneno da cascavel sul-americana. Já a toxina botulínica é obtida de uma bactéria (Clostridium botulinum).
 
Segundo Ribeiro, o grupo já tem aprovação do comitê nacional de ética para testar a crotoxina também nas áreas de dermatologia e neurologia, nas quais a toxina botulínica é amplamente usada.
 
Um dos tratamentos é para as distonias musculares, distúrbio caracterizado por espasmos musculares involuntários. Quando aplicada em pequenas doses, a toxina bloqueia a liberação de acetilcolina (neurotransmissor responsável por levar as mensagens elétricas do cérebro aos músculos) e, como resultado, o músculo não recebe a mensagem para contrair.
 
Fonte: Folha de São Paulo


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