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ALANAC - Notícias do Setor

Grupo suíço já é o maior concorrente da dona do Botox

12 de Setembro de 2014

Por: Assis Moreira

A Nestlé, líder mundial no setor alimentar, é agora também o número dois do mercado global da toxina botulínica ("botox) e do ácido hialurônico através de sua empresa Galderma, apostando em lucros significativos.

Depois de criar a Nestlé Skin Health (NSH), o grupo helvético adquiriu em maio os direitos de vários produtos dermatológicos da canadense Valeant Pharmaceuticals por US$ 1,4 bilhão.

Com isso, acelerou sua virada também para tratamento de saúde da pele e tornou-se o principal concorrente da americana Allergan, que desenvolveu a toxina botulínica e deu o nome de "botox".

Segundo analistas, o mercado de dermatologia cresce duas vezes mais rapidamente que o de alimentos e garante maior lucro. ''Nestlé Skin Health, com Galderma, tem potencial de se tornar a próxima Nespresso'', avalia Jean-Philippe Bertstchy, analista do banco Vontobel, estimando que a margem de lucro da companhia dermatológica pode passar de menos de 15% atualmente para cerca de 20% em 2018.

O mercado de injeções antirrugas, que inclui a marca Botox da Allergan e as marcas Dysport e Restylane da Galderma, é altamente lucrativo. Segundo o banco suíço, o mercado global de estética facial soma atualmente US$ 3,5 bilhões. Somente o mercado dos EUA pode quase dobrar de US$ 2,5 bilhões em 2013 para US$ 4,7 bilhões em 2018.

As mulheres americanas, principalmente, consomem muito "botox", e não apenas as que trabalham em Hollywood. Cerca de seis milhões de injeções (dois milhões foram de ácido hialurônico) foram aplicados nos EUA em 2012. A Allergan faturou US$ 2 bilhões somente com vendas de "botox" no ano passado, 12% a mais que em 2012.

Humberto Antunes, presidente da Galderma, nunca fala em "botox", que afinal é o nome do produto do concorrente, e sim de ''preenchimento'', e diz que no Brasil o principal produto é o Dysport, de sua companhia.

Galderma tem 15% desse mercado global de injeções de procedimento butolínico e de ácido hialurônico (para corrigir as rugas e instantaneamente recuperar os volumes), e sua ambição é muito maior. Esse segmento representa 20% das vendas da companhia, mas o plano é de que alcance 33% em alguns anos.

''O uso de procedimentos médicos dermatológicos está só começando'', diz o executivo. As injeções são aplicadas hoje principalmente no lábio, na ruga de preocupação (linha glabelar), no sulco nasolabial. ''Mas existem muitas outras coisas que poderemos fazer no futuro e vamos fazer muita pesquisa para isso. Poderemos puxar o olho, poderemos tirar um pouco o papo, preencher uma cicatriz, preencher de novo o que ficou só na pele, até para uma pessoa idosa se sentar mais confortavelmente e até ficar mais bonitinha. O mercado ainda não quantifica estas indicações, mas a necessidade está lá''.

Galderma considera que está revolucionando esse mercado de medicina estética e corretiva, porque a penetração do uso de procedimentos ainda é muito mais baixa. " Temos uma visão mais científica desse segmento, focada menos na vaidade e mais para preservar a saúde'', diz seu presidente.

O uso de produtos de medicina estética não é tanto "para algo que já quebrou, mas para prevenir, se cuidando o tempo todo'', acrescenta. Diz que nos Estados Unidos, no Brasil e na Austrália a consciência é grande nesse sentido. ''Já aqui na Europa nem tanto, porque veem isso como vaidade e não como tratamento da saúde''.

Com a potência financeira da Nestlé e sua massa crítica, Galderma é uma das poucas companhias a poder trazer produtos dermatológicos inovadores, avalia Bertschy. A empresa dispõe de um orçamento colossal de 400 milhões de francos suíços, ou 20% de seu faturamento, para pesquisa e investimentos. O "pipeline" inclui uma dezena de novas entidades químicas (candidatas a novos fármacos), 6.500 patentes desde a criação da companhia e 57 novas patentes registradas em 2012.

Embora o plano seja de crescimento orgânico, Antunes não esconde o interesse em novas aquisições, na estratégia de acelerar o crescimento.

Fonte: Valor Econômico


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